A crise que leva o preço do petróleo a cair

Os preços do petróleo continuam em queda. Fonte: Gregory Bull, File/AP
Os preços do petróleo continuam em queda. Fonte: Gregory Bull, File/AP

José Caleia Rodrigues, especialista em geopolítica do petróleo, falou ao Público sobre a crise no mercado petrolífero. Para si, quando faltar espaço para armazenar o petróleo, a alternativa será “queimar para o ar”.

Na dia 20 de abril, o mercado petrolífero viu a curva do preço do barril no mercado WTI de Nova Iorque descer de forma “assustadora”. Ontem, a cotação saiu de 40 dólares negativos, mas continua em valores historicamente baixos.

Nesta entrevista, o autor de livros sobre os equilíbrios globais da matéria-prima, fala sobre o impacto da Covid-19 no setor. “Havia uma produção em janeiro de cerca de cem milhões de barris diários e, agora, o nível estava nos 70 milhões de barris por dia. Ou seja, houve uma queda e 30% na produção mundial.” Assim, classifica o que está a suceder como “extraordinário”.

“Nunca tivemos nada disto. Pelo contrário, temos tido é situações de alta súbita, com acontecimentos do passado como bloqueios. (…) São grandes quantidades de petróleo, que já estão com quebras fortes de consumo e com a produção em baixa.”, diz Caleia Rodrigues.

O preço do petróleo está cada vez mais baixo

“A capacidade mundial de armazenamento é de 6,7 mil milhões de barris, considerando o comercial e as reservas estratégicas”, referiu o geopolítico , salientando que com a atual abundância no mercado, os produtores estão a passar à fase: “Levem daqui o petróleo, seja como for.”

Livro de Caleia Rodrigues.
Fonte: Amazon

Que impacto estão a ter os países produtores? Caleia Rodrigues assume que a Rússia é quem mais está a sofrer porque “a exploração [lá] é muito cara”. Enquanto que os EUA, acrescenta, estão a “atingir a autossuficiência”.

Sobre a tendência para o preço baixo, no seu ponto de vista, já era, antes da Covid-19, uma caminhada que estava a suceder. “Já havia uma liquidez enorme no mercado, com uma grande oferta, estava a ficar mais barato.”

Sobre Portugal fala de um cenário em que “a GALP fechou a refinaria de Sines, (…), porque não há onde guardar mais petróleo.” O geopolítico lembra, por fim, que os “novos investimentos” no setor já estavam parados – “o investimento era na inventariação, para detetar novas bolsas de petróleo”. Aí, é difícil continuarem com a mesma força, admite.

Citações adaptadas ao novo acordo ortográfico