Análises confirmam que Manuscritos do Mar Morto são falsos

Fotografia: SAUL LOEB/AFP/Portal G1
Fotografia: SAUL LOEB/AFP/Portal G1

Após ter anunciado que cinco dos artefatos eram falsos no ano passado, o Museu da Bíblia confirmou, na última sexta-feira, que todos os seus 16 manuscritos são falsos. Em relatório, foi publicado que investigadores e colecionadores foram enganados.

Supostamente descobertos em 1947, na caverna de Qumran, os Manuscritos do Mar Morto foram adquiridos pelo Museu da Bíblia, localizado em Washington D.C., nos Estados Unidos da América (EUA), e acabaram por se tornar sua atração principal. Em relatório oficial, Colette Loll, fundadora e diretora da instituição Art Fraud Insights, afirmou que “após uma revisão exaustiva de todos os resultados de imagens e análises científicas, é evidente que nenhum dos fragmentos de texto da coleção dos Manuscritos do Mar Morto do [Museu da] Bíblia é autêntico”.

Ainda segundo o relatório, Loll e o time de investigadores concluíram que, apesar de serem feitos de couro antigo, a tinta foi produzida nos tempos modernos e os pergaminhos modificados para terem aspecto credível. O diretor executivo do museu, Harry Hargrave, declarou em entrevista à National Geographic que “[os responsáveis pelo Museu] são vítimas, de deturpação, de fraude”.

Um dos fragmentos dos Manuscritos do Mar Morto. Fotografia: EPA/JIM LO SCALZO/Diário de Notícias

Nas investigações requisitadas pelo museu, Colette Loll colocou em seus termos que, independe do resultado, sua pesquisa seria decisiva e teria que ser liberada ao público. Em entrevista à National Geographic, a pesquisadora afirmou que “nunca tinha trabalhado com um museu tão honesto”, após ter recebido uma resposta positiva às suas solicitações. Apesar de já terem sido conduzidas, as pesquisas não determinaram a procedência das falsificações.

As análises sobre os artefatos do Museu da Bíblia não colocaram em causa a autenticidade dos Manuscritos do Mar Morto que se encontram no Museu de Israel, na cidade de Jerusalém. As relíquias tem cerca de dois mil anos, e consistem em pergaminhos essenciais para o Judaísmo, descobertos no deserto da Judeia. Os Manuscritos encontram-se hoje em exposição no Santuário do Livro, que também inclui o Codex Aleppo, o manuscrito mais próximo do Texto Massotérico.

Investidor do Museu da Bíblia tem histórico de desfalque

O Museu da Bíblia foi fundado pela corporação Hobby Lobby, em 2017, tendo como principal investidor o empresário e diretor executivo Steve Green. Sua família possui uma grande coleção privada de artefatos antigos, contando com mais de 40 mil relíquias bíblicas.

Em 2016, o empresário foi acusado de ter comprado mais de cinco mil artefatos que foram contrabandeados do Iraque, que incluíam tábuas de argila com escrita cuneiforme. Green teria pagado US$ 1,6 milhões ao revendedor desconhecido, em dezembro de 2010. Promotores federais do Brooklyn, nos EUA, assinaram uma queixa civil que especificava que os artefatos teriam sido saqueados de locais históricos no Iraque.

Um dos artefatos comprados ilegalmente por Green. Fotografia: United States Attorney for the Eastern District of New York/The New York Times

Além da queixa civil, os promotores demandaram que o lobista devolvesse todos os artefatos, além de pagar uma multa ao Governo de US$ 3 milhões. Os promotores federais incluíram a própria corporação nas exigências, clamando que a Hobby Lobby adotasse políticas mais rígidas na compra de objetos culturais.