Animal Crossing desaparece de lojas chinesas após protestos

Protestos virtuais de ativistas de Hong Kong no jogo Animal Crossing. Fonte: Joshua Wong
Protestos virtuais de ativistas de Hong Kong no jogo Animal Crossing. Fonte: Joshua Wong

Após atingir um pico no começo do mês por conta da pandemia, o mercado dos videojogos sofreu um ataque na China. Animal Crossing: New Horizons foi removido das lojas virtuais chinesas, avançou, na manhã desta terça-feira, o jornal britânico The Guardian.

O jogo, lançado a 20 de março para Nintendo Switch, permite aos utilizadores decorarem as suas próprias ilhas e convidarem outros jogadores para as visitar. Sua popularidade foi instantânea, tendo vendido quase dois milhões de cópias em apenas três dias, no Japão, sublinha a CNBC.

O principal motivo para seu desaparecimento nas lojas estaria ligado, segundo o Guardian, com a disseminação de ideias pró-democráticas por ativistas de Hong Kong. Na última semana, Joshua Wong, secretário-geral do grupo Demosisto e voz proeminente do movimento, partilhou imagens com as mensagens.

Na mesma semana, o jogo também desapareceu do equivalente chinês ao eBay, Taobao.

Nas mensagens partilhadas pelos ativistas, liam-se críticas ao presidente chinês, Xi Jinping, e à chefe do executivo de Hong Kong, Carrie Lam. Lam perdeu popularidade na região autónoma por conta da proximidade com o governo de Beijing.

“É isto o que fazemos no #AnimalCrossing … talvez por isso estas pessoas estão tão ansiosas para voltar ao jogo!!”

Joshua Wong no Twitter

Não se sabe até à data se a decisão partiu de uma ordem do governo chinês, que não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Segundo o New York Times, representantes do Alibaba e Pinduoduo também não comentaram o caso.

A franquia foi criada em 2001, originalmente desenvolvida para Nintendo 64, mas lançada para GameCube, no mesmo ano. Animal Crossing conta com nove versões, a mais recente, lançada este ano.