Baixa de Coimbra retoma atividades após estado de emergência

Os pequenos negócios seguem agora novas medidas de prevenção, como o Devore Cake's House. Fotografia: Gabriel Rezende
Os pequenos negócios seguem agora novas medidas de prevenção, como o Devore Cake's House. Fotografia: Gabriel Rezende

Com o surto a aparentar estar sob controlo, Portugal volta a abrir aos poucos, e a população a sair de casa, retomando os seus quotidianos. Mas esse dia-a-dia que o país vive já não é o mesmo de há alguns meses, antes da pandemia. 

O Devore Cake’s House é um pequeno café circundado pelas casas antigas da parte histórica de Coimbra. Teve uma queda de faturação de até 90% desde o começo da pandemia, mas manteve-se aberto em regime de take-away por ser um estabelecimento de restauração.

Ao entrar no espaço a proprietária do espaço nos recebe com um sorriso acalentador por detrás de uma viseira plástica e máscara. Brasileira, Luciana Santos mora com o marido em Coimbra há pouco mais de um ano, e têm o negócio aberto há um ano.

“O uso de máscara e viseira se tornou obrigatória, mas as regras para a restauração só devem chegar próximo ao dia 18 de maio”, período em que o Governo afirmou que a restauração deve voltar a funcionar, segundo o plano de reabertura do país.

“Nós tivemos de nos reorganizar em muita coisa porque não estávamos preparados para fazer só take-away”, revela a proprietária. Com as alterações no estabelecimento desde o início do estado de emergência, os consumidores não têm acesso à montra fria, o que “atrapalha um pouco as vendas”, segundo Santos.

Luciana Santos serve um cliente com o equipamento obrigatório de proteção. Fotografia: Gabriel Rezende

Com uma clientela formada maioritariamente por estudantes, para a proprietária, o futuro não parece promissor a curto prazo. “Só vejo uma retomada do fluxo de clientes em setembro, quando as aulas da Universidade de Coimbra forem retomadas presencialmente”, explica.

Uma Baixa que volta a ganhar vida

O Governo autorizou, e os primeiros espaços a reabrirem a partir desta semana foram os pequenos negócios com menos de 200 metros quadrados. Segundo a presidente da Associação de Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), Assunção Ataíde, bastantes lojas reabriram, com cuidados, “mas algumas [em especial de restauração] estão à espera do dia 18 de maio”.

Em retrospetiva ao primeiro dia da reabertura, na passada segunda-feira, Ataíde refere que não atingiu as expetativas de alguns dos lojistas. “Há uma reabertura progressiva, ontem algumas pessoas foram aparecendo, vendeu-se algumas coisas”, acrescenta.

Há, no entanto, uma vantagem para os pequenos negócios: as grandes superfícies ainda continuam fechadas. “Isso acaba por abrir alguma janela de oportunidades, mas as pessoas ainda estão um bocado receosas”.

A Baixa de Coimbra já recebia algumas pessoas uma vez que alguns lojistas ainda podiam seguir abertos com algumas restrições. Apesar de antes, nos dias de sol, aparecerem “mais pessoas na Baixa, sem máscara nem outras proteções”, Ataíde elucida que, deste então, “a maior parte da população anda de máscara”.

Até meados de maio os restantes espaços devem voltar a atender ao público, tais como as lojas de até 400 metros quadrados, restaurantes, cafés, pastelarias e esplanadas. Neste mês, reabrem ainda os museus, monumentos e palácios, galerias de arte e similares.