Broadway tem incertezas sobre retoma da atividade

Fotografia: Seth Wenig/AP
Fotografia: Seth Wenig/AP

A Broadway interrompeu as atividades desde março, com os novos casos de Covid-19 a diminuir lentamente em Nova Iorque, ainda restam incertezas sobre o retorno à normalidade do setor que lucrou sozinho mais mil milhões e meio de euros em 2019.

As luzes neon que decoram as fachadas dos teatros continuam a iluminar a cidade mais populosa dos Estados Unidos, mas, desde o início da pandemia, já ninguém espera nas longas filas das bilheteiras dos teatros da Times Square. Segundo a Agence France Presse (AFP), a crise do novo coronavírus fez com que os mais de 30 milhões de dólares que entravam todas as semanas cessassem de o fazer.

Todas as apresentações foram canceladas a 12 de março. Segundo a Associated Press, o cancelamento também afetou 16 estreias agendadas e causou o adiamento por tempo indefinido do Tony Awards, das mais relevantes premiações do setor nova-iorquino.

A agência avança ainda que muitos dos profissionais que trabalham no setor receberam os seus salários duas semanas após o fechamento dos negócios. Agora, têm a renda limitada pelos subsídios de desemprego. Segundo o Guardian, mais de 33 milhões de americanos já enviaram pedidos para estes apoios nas últimas semanas.

Fotografia: Sudan Ouyang/Unsplash

A renda básica para a profissão ronda os dois mil dólares por semana. No entanto, muitos músicos acabavam por receber valores mais altos. À AFP, o presidente do sindicato dos músicos Local 802, Adam Krauthamer, declarou que vários membros já morreram com a Covid-19.

Já Charlotte St. Martin, presidente da Broadway League, a principal associação da indústria, considera que “o modelo financeiro da Broadway está estruturado de tal maneira que o distanciamento social simplesmente não funciona”. Segundo St. Martin, mesmo com uma ocupação de metade dos assentos, “um espetáculo não conseguiria pagar os seus custos”.

Para além do modelo financeiro, St. Martin aponta o facto de as peças e os musicais se enquadrarem na categoria de aglomerações, “que provavelmente são as últimas a serem permitidas”, como um dos principais desafios para a retoma das atividades regulares dos teatros.

As expetativas de reabertura continuam incertas e não deve acontecer antes de julho deste ano. Apesar disso, segundo a AFP, muitos apontam para o melhor cenário ser somente a partir do mês de setembro.