Ciência revela segredos em obra de Vermeer

Agora se está mais perto da Rapariga de Vermeer. Fonte: Museu Mauritshuis.

Um exame científico da famosa pintura de Vermeer, conhecida como Rapariga com Brinco de Pérola, rendeu novas descobertas: afinal ela já teve pestanas e a “pérola” não passa de uma ilusão.

Empregando pesquisas multidisciplinares, uma equipe internacional de cientistas aproximou um pouco mais o público e uma obra de arte. A ciência se debruçou sobre o quadro Rapariga com Brinco de Pérola que é há décadas a imagem de marca do Museu Mauritshuis.

Este museu em Haia disponibiliza agora os resultados do projecto intitulado The Girl in the Spotlight, realizado nos últimos dois anos para ficar a conhecer melhor o retrato de Johannes Vermeer que tem em exposição desde 1881.

Enquanto a olho nu a Rapariga sempre parecia não ter cílios, a digitalização por fluorescência de raios X macro e o exame microscópico também revelaram que Vermeer pintou pequenos cabelos ao redor dos dois olhos.

“A pesquisa mostra que Vermeer fez alterações à composição enquanto pintava: a posição da orelha, o topo do lenço que tem na cabeça e a base do pescoço mudaram”, diz o comunicado que foi objeto de reportagem do jornal O Público.

O projeto revela ainda que o suposto brinco de pérola é, afinal, um truque do pintor: “A ‘pérola’ é uma ilusão – toques opacos e translúcidos de tinta branca –, não foi [sequer] pintado o fecho que a prenderia à orelha” diz o comunicado.

Há já muito tempo que alguns especialistas defendem que a pérola é, na realidade, um pendente de metal, provavelmente prata, ou vidro veneziano envernizado, pela forma como Vermeer pinta a luz a refletir-se nele.

Uma microfotografia digital mostra a pérola com ampliação. Fonte: Mauritshuis.

Permanece também a questão de quem exatamente a Rapariga era: “Conseguimos descobrir muitas coisas sobre os materiais e as técnicas que Vermeer usou, mas continuamos sem saber ao certo quem é esta rapariga”, reconhece Abbie Vandivere, conservadora-chefe de pintura do museu, em entrevista ao jornal britânico The Guardian. “É bom que alguns mistérios se mantenham e que todos possam especular. Isso dá a cada um de nós a possibilidade de estabelecer uma relação muito pessoal com a pintura, com a forma como os nossos olhos se encontram com os dela.”

Vermeer usou diferentes pigmentos e misturas para pintar. Esquerda: fotografia com luz visível. Meio: pigmentos contendo ferro foram detectados usando macro-raios-X. Direita: espectroscopia de imagem mapeou as misturas. Fonte: Mauritshuis.