Cientistas capturam quasar em imagem de alta resolução

Fotografia: Boston University Blazar Program
Fotografia: Boston University Blazar Program

Uma equipa de astrónomos do Event Horizon Telescope anunciou na última terça-feira, 7 de abril, ter fotografado um jato de plasma oriundo de um buraco negro. Trata-se dos mesmos cientistas que, em 2019, fotografaram, pela primeira vez, um buraco negro.

“Quasar”, abreviação de “fonte de rádio quase estelar” (em inglês, quasi-stellar radio source), são buracos negros supermassivos que se alimentam de um disco de acreção e cuja luz pode ser tão intensa ou mais que a da galáxia que o circunda.

As imagens do 3C 279, objeto que se encontra a mais de cinco mil milhões de anos luz de distância, mostra duas manchas vermelhas. A mais brilhante destas, acreditam os cientistas, será o disco de acreção, um disco de gás e poeira que circunda o buraco negro. A outra mancha será o jato de plasma, ou blazar.

As imagens foram observadas ao longo de diversas noites, em abril de 2017, pelo Event Horizon Telescope, uma rede global de radiotelescópios. Para conseguir as imagens, os cientistas usaram a interferometria de longa linha de bases, uma técnica da radioastronomia que permite emular um telescópio tão grande quanto a Terra, segundo o New York Times.

O líder da investigação, Jae-Young Kim, do Instituto Max Planck de Radioastronomia, citado pelo New York Times, elucida que estudar a estrutura do jato de plasma foi como abrir um conjunto de matrioscas. No fim, encontraram uma surpresa: uma estrutura perpendicular ao jato.

Ziri Younsi, co-autor do trabalho e investigador da Universidade College London, explicou ao Guardian que estes astros “não apenas engolem muita matéria, eles também liberam muito para fora pois são altamente magnetizados e giram muito rápido”.

As imagens são, segundo a equipa, as capturas com maior resolução de um jato de partículas próximas de um buraco negro supermassivo. Significa que uma nova investigação sobre o que se passa na base do jato vai ser possível a partir da descoberta.

Quasares têm torturado cientistas desde a sua descoberta, ainda nos anos 1960. Muitas teorias surgiram para explicar as emissões de ondas de rádio causadas pelos objetos, até que se encontraram as explicações que ainda se mantêm nos dias atuais.