Cientistas debatem sobre o risco da reabertura de escolas

Fotografia: Andrew Ebrahim/Unsplash
Fotografia: Andrew Ebrahim/Unsplash

Grupos de cientistas têm debatido sobre os riscos de infeção pela Covid-19 entre as crianças com a reabertura de escolas. Enquanto um lado afirma que é improvável que contraiam o vírus, o outro declara que pode gerar uma nova onda de transmissão.

O maior impasse entre os cientistas é sobre a probabilidade de crianças transmitirem o vírus a adultos. Embora não contraiam o novo coronavírus com a mesma facilidade, alguns estudos propõem que os infantes podem carregar tanta carga viral como um adulto, podendo se mostrar como um risco de infecção.

Alasdair Munro, especialista em doenças infecciosas pediátricas na Universidade de Southampton, mostrou-se a favor do regresso às aulas em entrevista ao The Guardian, afirmando que, num estudo realizado na cidade italiana de Vò, “as autoridades testaram mais de 80% da população e descobriram que 2,8% deram positivo ao coronavírus. […] nenhuma criança com menos de 10 anos foi infetada, […] mas um grande número de crianças estavam vivendo em casas com pessoas infetadas”.

Nos Estados Unidos da América, Anthony Fauci, cientista de doenças infeciosas e membro da força tarefa contra o coronavírus da Casa Branca, declarou que “devemos ser cuidadosos sobre mandar as crianças de volta a escola. Eu sou cuidadoso, e esperançosamente humilde, em saber que não sei tudo sobre a doença”.

Algumas pesquisas, como a realizada pela companhia islandesa deCODE Genetics, em parceria com a Direcção de Saúde da Islândia e o Hospital Universitário Nacional, mostraram que crianças com menos de 10 anos “são menos prováveis de receberem um resultado positivo que pessoas com 10 anos ou mais, com uma percentagem de 6,7% e 13,7%, respetivamente”. Os dados vão ao encontro da pesquisa liderada pela Secretaria Nacional de Estatísticas do País de Gales, no Reino Unido, que ao analisar 10.000 pessoas declarou “não ter evidência de diferenças entre grupos etários nas proporções dos testes positivos [ao novo coronavírus]”.

Em entrevista ao Financial Times, Devi Sridhar, professor de saúde pública global na Universidade de Edimburgo, explicou que duvida que haja “conhecimentos suficientes sobre o vírus e o papel das crianças na transmissão”. O cientista acrescentou que “se fosse pequeno, poderia ser transformacional. Mas pode não ser, e essa é a preocupação.”

Entretanto, num estudo ainda não revisado por cientistas da Universidade de Queensland, mostrou-se que apenas 8% dos casos positivos de Covid-19 foram causados após crianças terem trazido o vírus para casas, em comparação à influenza, em que cerca de 50% dos casos foram causados por crianças infetadas.

Munro declarou que “as crianças são o grupo mais seguro de tirar da quarentena, pois têm menos riscos de adoecerem pela Covid-19, e parecem representar um risco menor de infectar outras pessoas”. O cientista ainda complementou que “devemos também lembrar que manter elas fora da escola é prejudicial para as perspectivas de longo prazo na vida. “