Como as pandemias alteram a investigação?

O quadro de pandemia do novo coronavírus tem sido o propulsor de inúmeras mudanças no quotidiano ao redor do globo. Mas não foi apenas a ida ao supermercado se alterou: a investigação científica também foi afetada pela disseminação do SARS-CoV-2.

Segundo informações da revista americana Science, restrições do tráfego aéreo impostas pelo governo norueguês levaram ao cancelamento de entre dez e 15 voos com destino ao Ártico. Os voos levariam equipas de cientistas a um navio alemão aprisionado nas geleiras. O objetivo? Compreender os efeitos das alterações climáticas no Polo Norte.

As viagens partiriam de Svalbard, na Noruega, entre março e abril. Apesar do cancelamento, ainda há viagens marcadas para agosto que se devem manter.

Markus Rex, cientista atmosférico entrevistado pela Science, conta que a notícia foi recebida com tristeza pela equipa. “Temos apenas de esperar o que acontece”, estima.

Rex é o líder do Observatório Multidisciplinar à deriva para o Estudo do Clima Ártico (MOSAiC), expedição que tinha a duração prevista de um ano. Centenas de cientistas de 20 países fazem parte da equipa de investigação.

Relocação de investimentos

Com as alterações, grande parte dos investimentos em saúde e inovação têm sido voltados para o tratamento da Covid-19 e desenvolvimento de uma vacina contra o vírus. Na Europa, atual epicentro da pandemia desde o início do mês, os investimentos no setor ultrapassaram os 140 milhões de euros.

Na América, o desenvolvimento de uma vacina contra o também marcou as movimentações política. O governo canadiano decidiu intervir, injetando o equivalente a 650 milhões de euros em medidas contra o novo coronavírus, 176 dos quais destinados ao desenvolvimento de uma vacina.

Segundo a CBC, o montante será dividido entre o governo federal e os governos provinciais, num esforço que envolve medidas de educação, material hospitalar e seguro desemprego. No Canadá, o número de pessoas infetados pelo novo coronavírus já ultrapassa os 420 casos.

Poucos dias após o anúncio, investigadores estadunidenses iniciaram os testes de uma vacina experimental contra o SARS-CoV-2, vírus causador da Covid-19. De acordo com The New York Times, testes clínicos foram iniciados no Instituto de Investigação em Saúde Kaiser Permanente Washington, em Seattle, Estados Unidos e utilizam a vacina produzida pela Moderna Inc. Se aprovada, a vacina será a primeira a usar o material genético de um vírus no processo de imunização.

Apesar de esta ser uma das tentativas mais rápidas na elaboração de uma vacina, é possível que esta nunca venha a ser utilizada, o que já aconteceu no passado. A New Yorker cita o exemplo da epidemia de Zika, entre 2015 e 2016, que diminuiu antes que uma vacina tivesse sido aprovada.