Coronavírus golpeia sonho de brasileiros em Portugal

Muitos brasileiros não conseguem voltar. Fonte: SIC Notícias.


Depois de perderem o emprego, imigrantes ficam sem dinheiro e fazem fila no aeroporto, esperando vaga em voos fretados. Consulado estima que situação afeta 600 pessoas.

O jornalista Gian Amato publicou reportagem especial no jornal O Globo sobre os brasileiros que, em desespero, acamparam fora do aeroporto em Lisboa a espera de repatriação após a pandemia do novo coronavírus.

No fim do mês passado o aeroporto na capital portuguesa virou o centro da peregrinação de emigrantes brasileiros que desistiram de viver em Portugal. Eles perderam o emprego devido à pandemia da Covid-19 e não conseguem mais permanecer no país.

Sem dinheiro para a volta ao Brasil cerca de 40 pessoas dormiram aglomeradas por uma semana na calçada do terminal à espera de um encaixe em um dos voos de repatriamento fretados pelo governo brasileiro. Na quinta-feira, dia 30, houve desistências, 23 puderam embarcar de última hora e 17 foram para um abrigo.

Em tempos de distanciamento social e frio na madrugada, cerca de 40 pessoas dormiram aglomeradas por uma semana na calçada do aeroporto. Fonte: SIC Notícias.

Amato conversou com alguns dos brasileiros acampados, um deles foi Alex Santos, que dormiu durante uma semana em meio aos carrinhos de bagagens na calçada do terminal. Em um dos bolsos da calça, o ex-serralheiro de 41 anos, diz carregar €70, mas não pode gastar porque é o dinheiro que pretende usar para ir de São Paulo, destino único dos voos, a Conselheiro Pena, no interior de Minas Gerais, onde encontrará a mulher e as três filhas, para quem enviava dinheiro.

— Cheguei a pensar que teria que mendigar. Trabalhava como empregado de mesa num restaurante em Nazaré e fui despedido depois de um ano e meio em Portugal. Pensei em construir algo para a família, que ficou no Brasil, mas não deu. Não tenho visto de residência nem posso pedir seguro-desemprego, mas mesmo que pudesse, quero ir embora, porque no Brasil eu tenho casa.

O cônsul-geral adjunto do Brasil em Lisboa, ministro Eduardo Hosannah, estimou que há outras 600 pessoas em situação semelhante, entre turistas e desvalidos. O ministro adiantou que requisitou aprovação de recursos para novos voos de repatriamento, mas aconselha aos residentes a procurarem os programas de assistência de Portugal.

Brasileiros no aeroporto de Lisboa. Apenas uma parte conseguiu embarcar
Fonte: Gabriel de Rezende/Zimel Press.