Covid-19 encontrada no sémen de doentes

Fonte: New York Times

A presença do coronavírus no sémen foi detetada por cientistas na China. Os especialistas afirmam que isto não confirma a transmissão por via sexual.

O artigo foi publicado na última edição da revista médica JAMA Network Open e explica que, até agora, não se sabe se o vírus é sexualmente transmissível. Muitos cientistas espalhados pelo mundo ainda estão a tentar descobrir como o coronavírus afeta o corpo e como a sua transmissão ocorre. Nos últimos meses, foi divulgado que o vírus pode durar três dias em algumas superfícies e pode ficar suspenso em partículas de ar durante cerca de 30 minutos, segundo este artigo do New York Times.

Analisou-se o sémen de 38 doentes entre os 15 e os 59 anos com Covid-19 no Hospital Municipal de Shangqiu. Seis doentes apresentaram material genético do vírus no seu sémen, de acordo com este artigo do Público. Ainda assim, os investigadores afirmam que o estudo é limitado pela pequena amostra de pacientes analisada e por estes não terem sido seguidos durante muito tempo, depois dos resultados.

Stanley Perlman, professor de microbiologia na Universidade do Iowa, nos Estados Unidos da América, explicou ao New York Times que o facto de o vírus se encontrar no sémen não implica que seja uma via para a infeção. “Este é um resultado interessante, mas deve confirmar-se se há um vírus infecioso”, afirma o professor, que não esteve envolvido no estudo. Perlman diz que os testes podem apenas ter detetado fragmentos de ARN (material genético) viral. Ao contrário do vírus Zika, que se transmite pelo sangue, o coronavírus infeta pessoas por via oral e nasal, afirma o professor.

Num outro estudo publicado na revista Fertility & Sterility, da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, a Covid-19 não foi detetada em 34 homens chineses com uma forma ligeira ou moderada da doença. Os investigadores afirmaram que o trabalho não poderia afirmar se a doença é sexualmente transmissível. No entanto, os resultados fazem com essa hipótese pareça remota. Peter Schlegel, ex-presidente da sociedade, afirma que “pode ser prudente evitar o contacto sexual com homens até 14 dias sem sintomas”, de forma a assegurar a segurança.