Covid-19: o impacto na indústria cultural

Fotografia: Denys Nevozhai/Unsplash
Fotografia: Denys Nevozhai/Unsplash

A pandemia causada pelo coronavírus tem afetado, para além da economia, a indústria cultural. O impacto causou cancelamentos de eventos, de festivais, queda nas bilheterias, além de outras repercussões.

Diversas indústrias e mercados têm sido impactados pela pandemia do novo coronavírus, e isso inclui a indústria do entretenimento. Estreias, convenções, festivais e vários outros eventos estão sendo adiados ou cancelados ao redor do mundo. O objetivo dessas medidas é evitar aglomerações até que se tenha maior controle sobre a transmissão do vírus. 

Cinema e Música

A indústria do cinema tem sofrido as consequências do surto do vírus de forma mais intensa. A China, dona da segunda maior indústria de cinema do mundo e atrás apenas dos Estados Unidos da América (EUA), foi um dos países mais afetados pela pandemia. No final de janeiro, o país fechou mais de 70 mil salas de cinema, causando grande prejuízo para as bilheterias. Os cinemas norte-americanos também foram fortemente afetados pelo surto da Covid-19, sendo que, no último fim de semana, as bilheterias nos EUA tiveram seu pior resultado em 22 anos, com uma arrecadação de US$ 55,3 milhões. A previsão é de que a bilheteria global sofra um impacto de mais de US$1 bilhão até o fim do ano, de acordo com o The Hollywood Reporter.

Filmes esperados pelo público, como “Mulan” e “Um Lugar Silencioso 2”, tiveram suas estreias adiadas por tempo indeterminado. As gravações de séries como “Grey’s Anatomy” e “Supernatural” foram também paralisadas, assim como as de diversas séries anunciadas ano passado pela produtora Marvel Studios, como “Falcão e o Soldado Invernal”, “Loki” e “WandaVision”.

As recomendações para que as pessoas evitem viagens, aglomerações e contato social fizeram com que vários músicos cancelassem ou adiassem suas apresentações pelo mundo. Artistas como Pearl Jam, Green Day e Billie Eilish adiaram suas turnês, e festivais como o Lollapalooza e o Coachella também anunciaram novas datas. Como alternativa, alguns artistas estão criando festivais online como o #EuFicoemCasa.

Festivais e Teatro

A pandemia do coronavírus fez com que grandes festivais de diversas áreas diferentes como o Cinemacon, que é considerado o maior encontro da indústria de cinema do mundo, e a convenção de games e tecnologia E3 fossem cancelados. A Comic-Con de Seattle, também conhecida como Emerald City Comic-Con, teve suas datas adiadas.

Já na área dos espetáculos, a Broadway se encontra com todos os seus teatros encerrados até o dia 12 de abril, devido à decisão do governo de Nova Iorque que proíbe a realização de eventos com mais de 500 pessoas. Os teatros do West End em Londres adotaram medidas parecidas, e estão fechados por tempo indeterminado. 

O encerramento dos teatros e o cancelamento de convenções como a Comic-Con geram fortes repercussões sobre a situação financeira de diversos artistas cuja principal fonte de renda depende destes eventos. 

Streaming

Enquanto as salas de cinema se sentem prejudicadas pelo coronavírus, as plataformas de streaming crescem cada vez mais. Enquanto a bolsa de valores de Nova Iorque passa pela maior queda dos últimos nove anos, a provedora global de filmes e séries Netflix teve um aumento de 0,8% nas ações em Wall Street. Com os consumidores em casa, as redes sociais e empresas como o Facebook e a Amazon também devem se beneficiar do surto do vírus de acordo com o analista da MKM Partners, JC O’Hara.