Covid-19: Portugal fará estudos ao plasma de recuperados

Fonte: Unsplash
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O estudo está planejado para ter início em maio, de acordo com o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales. O anúncio foi feito durante uma conferência diária na Direção Geral da Saúde (DGS). 

Os ensaios têm como objetivo descobrir se seria possível a utilização do plasma de pessoas já recuperadas no tratamento de pacientes ainda infetados com a Covid-19. De acordo com o Público, este é um tratamento que vem sido proposto por diversos cientistas, já que atualmente não existem medicamentos, vacinas ou tratamentos específicos para a doença. Outros países, como a China, a Alemanha, os Estados Unidos e a Itália, já deram início a esse tipo de método.

Sales afirma que há interesse no uso do plasma de doentes recuperados: “Existe uma vontade grande por parte de diversas instituições de o fazer em termos de ensaios clínicos numa fase inicial”. Adiciona ainda que a DGS, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (Insa), e a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) são todos órgãos que “estão incorporados nesta vontade”. De acordo com o secretário, diversos critérios e fatores, como a “tecnologia para anticorpos neutralizantes” e o consentimento informado, estão a ser analisados. 

O secretário também informou que um grupo com doentes “moderados e graves” será formado para que os estudos possam ser iniciados e validados durante o mês de maio. “Queríamos ver se até ao final do mês podíamos ter toda esta uniformização perfeitamente contemplada para iniciarmos estes ensaios clínicos”, acrescentou o Sales.

A China já reportou que tem tido sucesso envolvendo infetados que foram tratados com o plasma de pacientes recuperados, e o tratamento parece ter mais eficácia quando é realizado durante os primeiros estágios da doença. O líder de uma equipe de médicos em Wuhan, Zhang Wenhong, disse em entrevista ao Al Jazeera que a técnica pode chegar a “reduzir o tempo necessário para tratar a doença de cinco a dez dias para três a cinco dias”.

A utilização de plasma no tratamento de doenças

Um dos primeiros casos de sucesso desse tipo de tratamento foi registrado em 1918 nos Estados Unidos, quando médicos americanos demonstraram uma redução de 50% na mortalidade de pacientes da chamada “gripe espanhola” como resultado da realização de transfusões de sangue. Os doentes estavam internados no Hospital Naval de Chelsea, em Massachusetts.

A ideia desse procedimento é impulsionar o sistema imunológico de pacientes infetados (ou de indivíduos que estão em risco de pegar a doença) utilizando os anticorpos que foram produzidos por pessoas que já se recuperaram da doença. Esses anticorpos estão contidos no plasma sanguíneo e, de acordo com um artigo publicado pelos imunologistas Arturo Casadevall e Liise-anne Pirofski, têm a habilidade de neutralizar o vírus causando a doença.  

Essa é uma técnica usada, no entanto, quando não existe nenhum outro método conhecido para tratar a doença em questão. Durante os anos 50, com o descobrimento de outros métodos mais eficazes, a prática caiu em desuso, voltando a ser usada na China em pacientes infectadas pela SARS (síndrome respiratória aguda grave), que é causada por outro coronavírus. O método foi usado também entre 2014 e 2016, durante o surto do Ebola.