Descobertos traços de antiga floresta tropical na Antártica

Interpretação artística de floresta tropical na Antártica há 90 milhões de anos. Fonte: Alfred-Wegener-Institut/J. McKay
Interpretação artística de floresta tropical na Antártica há 90 milhões de anos. Fonte: Alfred-Wegener-Institut/J. McKay

A floresta teria existido há 90 milhões de anos, época na qual o continente era bem mais quente do que é hoje. Foram encontrados vestígios de pólen, raízes fósseis e esporos de plantas na amostra de gelo analisada.

A pesquisa, publicada na revista científica Nature, baseia-se em uma amostra que foi recolhida no oeste do continente antártico. De acordo com os investigadores, a seção foi selecionada para análise por possuir uma cor distinta.

“A preservação dessa floresta de 90 milhões de anos é excepcional, mas ainda mais surpreendente é o mundo que ela revela” – Professora Tina van de Flierdt, co-autora da pesquisa, afirma em comunicado.

Sabe-se que o clima no planeta terra já passou por diversas mudanças ao longo dos tempos, com períodos de extremo calor e, também, de extremo frio. A partir dessa amostra de gelo, Dr. Johann Klages, pesquisador do Instituto Alfred Wegener do Centro Helmheltz para Pesquisas Marinhas e Polares (AWI) e uma equipa de profissionais da Alemanha e do Reino Unido concluíram que existiam temperaturas altas o suficiente 90 milhões de anos atrás para que a existência de uma floresta tropical perto do Polo Sul fosse possível.

Condições climáticas como essa só seriam viáveis, no entanto, se os níveis de produção de dióxido de carbono fossem muito mais altos do que antes imaginava-se para o período Cretáceo. O estudo revela, de acordo com os cientistas do instituto alemão, que as temperaturas na Antártica giravam em torno de 12ºC, podendo passar os 19ºC nos períodos de verão, e que a temperatura da água nos rios e nos pântanos chegava aos 20ºC.

“Antes do nosso estudo, o consenso era de que a concentração global de dióxido de carbono no período Cretáceo era em média de 1000 ppm. Mas com base nos nossos experimentos, seriam necessários níveis de concentração entre 1120 e 1680 ppm para atingir as temperaturas médias naquela época na Antártica.” – afirma Professor Gerrit Lohmann, co-autor da pesquisa.