Desvendada estrutura de proteína em bactéria de tuberculose

Fonte: Davide Cruz via Mollecular Cell
Fonte: Davide Cruz via Mollecular Cell

Os resultados do estudo, realizado por uma equipe internacional de cientistas, contribuem para o possível desenvolvimento de novos tratamentos e remédios para combater a doença.

Uma proteína da bactéria Mycobacterium tuberculosis, responsável por causar a tuberculose, foi desvendada por meio de um estudo interdisciplinar realizado por uma equipe de cientistas de vários países ao redor do mundo, incluindo pesquisadores portugueses. O resultado pode abrir novas portas para o desenvolvimento de fármacos que combatam a doença.

A colaboração de equipes e laboratórios internacionais foi coordenada por Filippo Mancia, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. O conhecimento e estudo de propriedades da estrutura de uma proteína depende de informações relacionadas a várias áreas da ciência e, por isso, a pesquisa envolveu grupos dedicados a diversas áreas, como a microbiologia, a biologia estrutural e a química.   

Capa da revista Mollecular Cell.
Fonte: Mollecular Cell

Cientistas do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB) da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa participaram ativamente da pesquisa. Margarida Archer é investigadora do ITQB e uma das autoras do artigo. Ela liderou um dos grupos do estudo da pesquisa, cujos participantes têm ido até a Universidade de Columbia e colaborado diretamente com a equipe de Mancia, recebendo treinamento na técnica de microscopia eletrônica. 

O artigo publicado na Mollecular Cell revela que o fruto dessa colaboração foi a determinação da estrutura tridimensional da enzima arabinofuranosil-transferase (AftD). Essa conquista dos cientistas permitiu perceber que tal proteína faz parte da formação do envelope celular, que é o que envolve e aumenta o nível de impermeabilidade da célula. Por isso, a Mycobacterium tuberculosis torna-se mais resistente a certos antibióticos e outros remédios.

Graças à técnica de crio-microscopia eletrônica, os cientistas verificaram também que a AftD está associada a uma outra proteína, que transporta os grupos acilo (ACP). Archer afirma que a equipe não estava à espera desta associação, e que “é isso que torna a ciência interessante”.

“As coisas que não estamos à espera são as mais interessantes, porque nos obrigam a investigar. No fundo, o que está ali a fazer a proteína [transportadora de grupos acilo]? Ainda não percebemos bem, por isso é que digo que as histórias nunca acabam”, afirma Margarida Acher.

Davide Cruz, doutorando no ITQB, é o responsável pela criação da imagem na capa da Mollecular Cell. A arte ilustra as partes da proteína que foram visualizadas no trabalho dos cientistas, sendo que a parte rosa da imagem é a que representa a AftD.

Fonte: Davide Cruz via Mollecular Cell
Fonte: Davide Cruz via Mollecular Cell