Doença de oliveira pode custar milhões de euros à Europa

Fotografia: Davide Monteleone/The New York Times
Oliveiras afetadas pela Xylella fastidiosa em Itália. Fotografia: Davide Monteleone/The New York Times

Um estudo publicado na última segunda-feira pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos estima que a Xylella fastidiosa, bactéria que causa doenças em mais de 300 espécies de plantas, pode ameaçar a produção de oliva na Espanha e na Grécia.

Segundo o estudo, o pior cenário da epidemia pode levar a perdas de até 20 mil milhões de euros por redução da produtividade a longo prazo. O patógeno já foi detetado em Portugal e pode levar a um aumento no preço do azeite de oliva, no futuro.

Encontrada em 2013, na região de Apúlia, Itália, a X. fastidiosa é considerada uma das bactérias mais perigosas para as plantas. Desde a descoberta, a Itália teve uma queda de cerca de 60% nas colheitas de azeitona, segundo a BBC. Combinadas, Grécia, Espanha e Itália são responsáveis por quase 95% da produção de azeite de oliva da Europa.

A infeção pela bactéria provoca murchidão, queimaduras e pode levar a planta à morte. Estes sintomas decorrem de limitações à mobilidade de água e nutrientes na planta, o que faz com que murche e morra.

Segundo explica o Público, a doença pode causar, nas oliveiras, um declínio “rápido das árvores envelhecidas”. No entanto, os sintomas variam entre as espécies infetadas.

Ainda não se conhece uma cura para a doença, pelo que a recomendação é abater a planta infetada. Transmitida por insetos que se alimentam de seiva, como as cigarras, a bactéria pode infetar amendoeiras, cerejeiras, videiras e ameixoeiras, entre outras plantas.

Em entrevista à BBC, o líder da equipa de investigação, Kevin Schneider, considera que, como resultado da infeção, pode haver escassez da oferta de olivas e azeite. “Acredito que se os preços subirem, o efeito para os consumidores será pior”, acrescenta o investigador.

A solução mais ecológica e sustentável, segundo Maria Saponari, especialista do Instituto para a Proteção Sustentável das Plantas, passa por encontrar culturas ou espécies imunes, no que “a comunidade científica europeia está a dedicar esforços”. Apesar disso, os autores do artigo defendem que é preciso aumentar a investigação nesta área. Já se conhecem duas variedades de oliveiras resistentes à bactéria.