Economia chinesa tem maior diminuição desde 1976

Fotografia: Kevin Frayer/Getty Images
Fotografia: Kevin Frayer/Getty Images

Afetada pela crise do novo coronavírus, a economia da China retraiu 6,8% no primeiro trimestre de 2020, segundo dados oficiais. É a primeira queda do Produto Interno Bruto (PIB) chinês desde o começo do registo, há quase trinta anos.

A diminuição compara a economia chinesa entre o primeiro trimestre de 2019 e o de 2020. Trata-se de um queda ligeiramente maior que os 6,5% previsto por economistas ouvidos pela Reuters. A queda reverte o aumento do último trimestre de 2019, de cerca de 6%.

A diminuição do PIB está ligada, refere a Reuters, ao fechamento da indústria e de centros comerciais, o que deixou milhões de chineses sem trabalho.

Apesar das previsões de crescimento para o segundo trimestre deste ano, Beijing deve sofrer para reavivar o crescimento económico, uma vez que a pandemia diminuiu a demanda por insumos chineses em todo o mundo.

Citado pela agência Reuters, o economista-chefe do Industrial Bank, Lu Zhengwei, declarou que o “PIB do primeiro trimestre está largamente dentro das expetativas, refletindo a paralisação económica de quando toda a sociedade estava em isolamento”.

Em comparação com o último trimestre de 2019, o PIB chinês caiu 9,8% em 2020. O crescimento do PIB chinês já sofria uma ligeira desaceleração antes da crise ocasionada pelo novo coronavírus.

Uma crise que deve superar a Grande Depressão

Na passada terça-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou previsões para o futuro das economias mundiais, e, em Portugal, as quedas pode ser recordes. Segundo o FMI, a taxa de desemprego deve duplicar por conta da crise.

Novo relatório da economia mundial. Fonte: FMI

A contração da economia, no caso Português, deve chegar aos 8%, um cenário ainda pior que a crise económica de 2010, segundo o Público. Significa que o PIB estaria a recuar aos níveis de 2017, a preços correntes.

Segundo o ministro das Finanças, Mário Centeno, o PIB português deve retrair cerca de 20% no segundo trimestre de 2020. Apenas em medidas de prevenção ao novo coronavírus, o Estado português deve gastar mais de 20 mil milhões, aponta Centeno.

Citada pelo Observador, a economista-chefe do FMI, Gina Gopinath, relembra que esta será a primeira vez que economias avançadas e emergentes estarão em crise. A intervenção no blog do FMI foi intitulada “O Grande Confinamento: A pior recessão económica desde a Grande Depressão”. Apesar das previsões negativas para 2020, o FMI prevê uma recuperação económica gradual em 2021, com a retomada da atividade económica.