Estudo comprova que noz-do-mar se alimenta das suas larvas

Fotografia: Stefan Siebert/Universidade Brown
Fotografia: Stefan Siebert/Universidade Brown

Pertence ao ramo mais antigo da árvore evolutiva dos animais. Agora, um estudo comprova que estes pequenos seres gelatinosos recorrem ao canibalismo para sobreviver a períodos de inverno rigorosos e sem outros alimentos.

A noz-do-mar (Mnemiopsis leidyi) pertence ao grupo (o termo científico é filo) dos ctenóforos e é parecida com uma medusa. Nativa do Atlântico norte ocidental, a espécie é reconhecida como invasora em águas europeias já há algumas décadas.

Segundo a Science, em regiões ocidentais do Mar Báltico e durante o fim do verão, o rápido crescimento do número de indivíduos da espécie afeta, negativamente, a base de cadeias alimentares marinhas, tais como de ovas e larvas de peixe e pequenos crustáceos. Em preparação ao inverno, estes animais têm de armazenar muitos nutrientes, e a principal fonte acaba por ser a própria prole.

Segundo um artigo publicado na última quinta-feira na Communications Biology, investigadores recolheram nozes-do-mar e conseguiram encontrar indivíduos que ingeriram larva de ctenóforos da própria espécie. O estudo teve lugar num fjord próximo à Dinamarca.

A hipótese que esta espécie recorria ao canibalismo não é recente, tendo sido proposta ainda em 2009. No entanto, esta é a primeira comprovação científica de que nozes-do-mar adulta canibalizam as próprias larvas.

“Esta descoberta preenche uma importante lacuna na compreensão de como uma espécie invasora e que exibe comportamentos de grande flutuação no número de indivíduos é capaz de sobreviver longos períodos sob escassez de nutrientes”, elucidam os autores do artigo.

Apesar de o canibalismo ser um comportamento recorrente na natureza, o caso tem uma particularidade: as nozes-do-mar só se alimentam da prole quando há um colapso total da população de presas. Para além disso, o artigo aponta ainda para a possibilidade de indivíduos adultos ajudarem na sobrevivência das larvas ao consumir predadores, como os microzooplâncton.

O canibalismo entre esta espécie ajuda a explicar a razão por trás do alto número de larvas que nascem durante o fim do verão, a grande maioria das quais teria poucas chances de sobreviver até ao inverno. Segundo o artigo, ao consumir os grandes números de larvas disponíveis, as nozes-do-mar conseguem armazenar alimentos suficientes para até três semanas.

Segundo o artigo, a compreensão do comportamento alimentar de espécies tipicamente oportunistas poderá ajudar a repensar estratégias de conservação ambiental mais efetivas.