Estudo cria previsões globais de níveis de arsénio

Imagem: Joel Podgorski e Michael Berg
Imagem: Joel Podgorski e Michael Berg

Com as mudanças climáticas, as populações têm de se adaptar a novas realidades. A escassez de água figura entre os problemas, mas a possível solução com poços pode estar prejudicada pela contaminação por arsénio, em algumas regiões do globo.

Um novo estudo, publicado na revista estadunidense Science, revela que entre 94 e 220 milhões de pessoas podem ser expostas a altos níveis de arsénio em aquíferos no mundo. A Ásia será o continente mais afetado, abrigando 94% das pessoas afetadas.

Para chegar à estimativa da população afetada, os investigadores levaram em consideração as estimativas locais de uso doméstico de água subterrânea e o mapa preditivo elaborado pela equipa de investigação.

A investigação considerou dados estatísticos preexistentes e utilizou 11 parâmetros geospaciais e mais de 50.000 pontos de medição dos níveis de arsénio em águas subterrâneas para a construção de um mapa preditivo, por meio de inteligência artificial.

“Por mais preciso que o novo modelo de arsénio seja, pode ser melhorado à medida que mais dados sobre o arsénio e mais conjuntos de dados preditivos surjam”, apontam os investigadores do artigo. Os modelos, segundo o estudo, podem servir de base em testagem de água na Ásia Central, no Sahel e em outras regiões do continente africano.

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Mapa elaborado a partir da investigação sobre os valores de arsénio na água. As regiões vermelhas indicam as regiões mais prováveis de conter níveis elevados de arsénio, enquanto as regiões azuis representam baixa possibilidade de excesso de arsénio na água. Imagem: Joel Podgorski e Michael Berg.

A escassez de água em decorrência das alterações climáticas pode também causar um aumento no número de pessoas afetadas. “O número já elevado de pessoas potencialmente afetadas pode aumentar uma vez que o uso de águas subterrâneas aumente com o aumento populacional e de irrigação”, descrevem os investigadores.

Os investigadores consideram as previsões “relativamente críticas e/ou conservadoras”. Esta interpretação está ligada ao facto de previsões anteriores apontarem números maiores de pessoas afetadas pelo consumo de arsénio acima dos valores tolerados.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o arsénio é um do principais contaminantes químicos da água no mundo. Compostos inorgânicos de arsénico, ou seja, moléculas que não possuem carbono na sua estrutura, são considerados carcinogénicos.

Os sintomas por intoxicação incluem vómitos, dores abdominais e diarreia. Podem também estar acompanhados de sensação de formigueiro e dormência nas extremidades, cãibras, e podem levar à morte, em casos extremos.