Fazer da casa escola

Fotografia: Teach like a super hero
Tempo de salas de aulas vazias. Fotografia: Teach like a super hero

Além do efeito devastador na saúde, no quotidiano e na economia, o coronavírus provoca também uma situação sem precedentes na educação. Conceitual ouviu um aluno do sexto ano, em Coimbra.

No início da segunda semana de aulas em casa, alunos e professores tentam adaptar-se a uma nova realidade. Na casa do António Lúcio, que estuda em Coimbra e está no sexto ano, há uma nova dinâmica desde a semana passada.

António sabe que ainda falta algum tempo até voltar para a sala de aula, mas as tarefas têm chegado pela plataforma do colégio por onde também pode tirar dúvidas com os professores, mas é sua mãe que o está a ajudar diariamente.

Em grupos de WhatsApp, muitos encarregados de educação (E.E.) comentam a dificuldade das escolas em implementar as aulas online em todas as casas, até porque há famílias que não têm os recursos necessários. No início da suspensão das aulas, os pais que de fato não possuem em casa computadores ou ligação à internet estavam a levantar as fichas de exercícios nas escolas, mas com o estado de emergência isto tornou-se muito complicado.

Com o encerramento das escolas por tempo indeterminado, as famílias portuguesas têm apostado em brincadeiras pedagógicas para trazer mais ânimo aos dias passados entre quatro paredes. Entretanto, o maior desafio é conciliar todas as tarefas da escola com os afazeres domésticos, e ainda o teletrabalho de muitos E.E.

Metade dos estudantes do mundo está sem aulas

Segundo estimativa da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o fechamento de instituições educacionais em decorrência do vírus já atinge metade dos estudantes no mundo, um total de 890 milhões em 114 países. Em nota publicada em 18 de março, a instituição alerta que a escala e a velocidade do fechamento de escolas e universidades representam um desafio sem precedentes para o setor educacional.

De acordo com a nota, “países do mundo todo estão correndo para preencher o vazio com soluções de ensino à distância, mas a duração incerta dos encerramentos acrescenta mais complicações aos seus esforços”. A Unesco ainda complementa que “eles variam de alternativas de alta tecnologia, como videoaulas em tempo real, conduzidas remotamente a opções de baixa tecnologia, como programação educacional em rádio e televisão”.

A Unesco compilou uma lista desses impactos para ajudar os países a antecipar e mitigar problemas. Eles incluem:

  1. Aprendizagem interrompida: as desvantagens são desproporcionais para alunos desfavorecidos que tendem a ter menos oportunidades educacionais fora da escola. 
  2. Nutrição: muitas crianças e jovens dependem de refeições escolares gratuitas ou com desconto para uma alimentação saudável. Quando as escolas fecham, a nutrição é comprometida.
  3. Proteção: as escolas fornecem segurança para muitas crianças e jovens e, quando fecham, os jovens ficam mais vulneráveis ​​e em risco. 
  4. Pais despreparados para educação a distância e em casa: quando as escolas fecham, muitas vezes é pedido aos pais que facilitem o aprendizado das crianças em casa e podem ter dificuldades para realizar essa tarefa. Isto é especialmente verdade para pais com educação e recursos limitados. 
  5. Acesso desigual aos portais de aprendizado digital: falta de acesso à tecnologia ou boa conectividade à Internet é um obstáculo ao aprendizado contínuo, especialmente para estudantes de famílias desfavorecidas. 
  6. Lacunas na assistência à infância: na ausência de opções alternativas, os pais que trabalham frequentemente deixam as crianças sozinhas quando as escolas fecham e isso pode levar a comportamentos de risco, incluindo aumento da pressão dos colegas e abuso de substâncias. 
  7. Altos custos econômicos: os pais que trabalham são mais propensos a perder o trabalho para cuidar de seus filhos quando as escolas fecham. Isso resulta em perda de salário e diminuição da produtividade. 
  8. Maior pressão nas escolas e sistemas escolares que permanecem abertos: o fechamento de escolas localizadas sobrecarrega as escolas, pois pais e funcionários redirecionam os filhos para as escolas abertas. 
  9. Aumento nas taxas de evasão escolar: é um desafio garantir que as crianças e os jovens retornem e permaneçam na escola quando as escolas reabrirem, especialmente após o prolongado fechamento. 
  10. Isolamento social: as escolas são polos de atividade social e interação humana. Quando as escolas fecham, muitas crianças e jovens perdem o contato social que é essencial para a aprendizagem e o desenvolvimento.