“Good Books”, a livraria que vai além dos livros

Fonte: Livraria Good Books / Facebook
Fonte: Livraria Good Books / Facebook

Em isolamento social de modo a combater a propagação da Covid-19, a cultura continua a salvar-se e a encher a casa das pessoas por diversos canais. A Livraria “Good Books” trabalha 100% online, chegando à casa dos seus leitores através de várias formas.

Através de envios de livros ou atividades que tenham preparadas, Ana Ivo e Ana Teresa partilham o seu amor pela literatura com o mundo. Nesta entrevista ao Conceitual, contam a história da livraria e também do mais recente projeto “Clube Good Books”.

De onde nasceu a Livraria Good Books?

A história da Livraria nasce de um sonho em comum. A livreira Ana Ivo, que trabalhou na área da Saúde durante 30 anos, tinha este sonho há muito tempo, mas nunca tinha encontrado alguém com quem partilhar este projeto. A livreira Ana Teresa é uma devoradora de livros desde que se lembra; viveu sempre com o nariz no meio dos livros. Em casa, vivemos rodeadas de livros. A livraria espelha o que somos, ou jamais seria o
que é hoje em dia. Para nós, não é um emprego, é uma expansão daquilo que somos todos os dias.

De que forma as pessoas conseguem chegar até vós?

Através das redes sociais, Instagram e Facebook, e também através do nosso site. Podem entrar sempre em contacto connosco. Também realizamos vários projetos online, como é que o caso do “Folha em Branco” durante este mês de maio, onde vamos falar com escritores portugueses sobre as várias etapas da escrita. Todos os sábados, fazemos um Retiro de Leitura no Instagram, onde fazemos sprints e partilhamos os nossos
objetivos diários de leitura. Também temos uma newsletter semanal onde temos um post exclusivo e um destaque semanal. Há sempre um post
novo no blog todas as quartas-feiras e domingos.

Quais os vossos sonhos e objetivos para a livraria?

O amor aos livros é um dos pilares da livraria. Está presente em tudo, desde a escolha dos próprios livros às cores de cada post. A intenção deste valor é que realmente transmita quem somos e, claro, transmita o amor com que a livraria foi criada. Gostamos de apostar em editoras que não se encontram facilmente no mercado (ou não estão, de todo, no mercado), em autores portugueses, em autores independentes e, claro, em livros com mais de 18 meses, que já não estão sujeitos ao escrutínio da lupa das novidades.

Também vai muito além dos livros. Não queríamos que a Livraria se tornasse apenas mais uma entre tantas. Tentamos motivar a leitura e inspirar as pessoas a encontrarem o livro que as fará sonhar. O online aqui é essencial porque é através das redes sociais que conseguimos comunicar e transmitir o amor que temos pelos livros. Desejamos que as pessoas sintam que podem (voltar a) apaixonar-se pelos livros.

Sentem que ainda há alguma coisa por fazer em torno da livraria?

Há sempre alguma coisa para fazer! Um dos exemplos mais claros disto foi a criação do Blind Date with a Book, uma ideia que apela aos interesses e gostos que as pessoas têm. Quando entramos numa livraria (seja ela física ou online), ficamos muito presos à capa e deixamos escapar livros maravilhosos. Com o livro mistério, não se pode julgar o livro pela capa. É sempre uma aventura, uma espécie de caça ao tesouro livrólico.
Neste momento, o que estamos a fazer é uma seleção um pouco mais restrita sobre os livros que entram no nosso catálogo, que é uma das vantagens de sermos uma livraria independente. Estamos sempre muito atentas ao que está no mercado, mas acima de tudo às necessidades dos nossos leitores e tentamos criar um equilíbrio entre os dois.

Podem explicar a ideia do Clube Good Books?

O Clube Good Books era algo que tínhamos no “porta-bagagens” das ideias. À medida que fomos crescendo nas redes sociais, fomos reparando que existia uma necessidade muito grande por parte dos nossos leitores de se sentirem em comunidade e pensámos que estava na hora de avançar com esta ideia.

Fonte: Livraria Good Books/Facebook

O princípio é simples: existem duas equipas (a Equipa Ficção, gerida pela livreira Ana Teresa e a Equipa Não-ficção, gerida pela livreira Ana Ivo) e duas opções de leitura conjunta para cada uma das equipas. Os livrólicos escolhem apenas um desses livros para ler no mês seguinte (vota-se em maio para ler em junho e por aí adiante). Será essa a leitura conjunta, que conta com objetivos literários diários e específicos. Desta forma, ninguém fica para trás na leitura conjunta e o livro não corre o risco de ficar esquecido na estante.
O preço do livro do Clube Good Books é fixo e já inclui o livro, os portes e os brindes. Se quiserem pertencer às duas equipas, o total ainda terá um desconto. A vantagem do Clube Good Books é ser bastante inclusivo: as pessoas escolhem o livro que querem ler; há uma leitura conjunta e vários brindes que acompanharão o livro para motivar a leitura; um chat para podermos conversar sobre o livro; e um live quando terminamos a leitura. Durante todas estas etapas, o leitor participa e faz parte da comunidade.

De que forma as pessoas podem participar e quais os principais
objetivos?

Há um prazo para votar no livro e para o adquirir todos os meses. É claro que quem não participou na votação, poderá comprar o livro e participar no Clube Good Books para a leitura conjunta.
O Clube Good Books é a melhor forma de falar sobre um livro com outras pessoas, afinal, quantas vezes é que lemos o mesmo livro com um amigo? No fundo, elimina uma leitura solitária porque estamos a ler em conjunto as mesmas páginas. Temos o cuidado de não ler antecipadamente os livros para o podermos fazer ao mesmo tempo que os leitores do Clube Good Books.

Quais as expectativas para o Clube?

No fundo, o que queremos é que as pessoas se divirtam e que vejam os Clubes de Leitura como algo fresco e motivador, não como algo estático e entediante. A comunidade que se constrói é eletrizante, motiva-nos a ler mais uma página, mais um capítulo. O Clube Good Books une pessoas de diversas áreas (profissionais e geográficas) e estamos muito empenhadas para que isto dê certo. Até ao momento, a adesão foi muito mais do que a esperada: pensámos que ter duas pré-inscrições para cada equipa fosse muito bom para este primeiro mês, mas já passámos bastante este número! Esperamos que mais pessoas se inspirem e que venham ler connosco.

Qual a importância, na vossa opinião, da leitura? Não só agora, em tempo de quarentena, mas no geral?

Temos um lema: é a Arte que nos salva. Os livros são uma forma de Arte e Cultura. É através dos livros que sonhamos e fugimos um pouco da vida real, mesmo que seja só durante uns minutos, porque são eles que nos inspiram a sermos melhores pessoas.

O segundo lema de leitura que temos é: lê por compromisso e não por obrigação. Quando somos obrigados a ler um livro, perdemos imediatamente o interesse pelo seu conteúdo. Por outro lado, se fazemos o compromisso de lermos um certo livro, a motivação é outra e a probabilidade de ler um livro até ao fim, e de gostar, é muito maior!
A leitura é e sempre será uma componente essencial no ser humano, seja ela de que formato for: físico, ebook, audiobook ou qualquer outro formato que ainda não tenha sido inventado. O que importa é ler, conhecer histórias, inspirar-nos pelas personagens e pela história. A quarentena trouxe novos hábitos de leitura e estamos empenhadas em manter e apoiar esses novos hábitos de leitura.

Há pessoas e entidades que afirmam que Portugal não lê. Somos a prova de que isso não é verdade. Nunca antes tivemos tantas encomendas e nunca antes tivemos tantas pessoas a participarem no nosso Retiro de Leitura online de sábado. A geração mais nova pode não começar pelos clássicos pesados e repletos de subentendidos, talvez comece pelo Harry Potter ou pel’A Seleção, mas lê e muito!