A discussão em torno do ibuprofeno

Fotografias: LUSA - António Cotrim e France24

O Ministro da Saúde francês, Olivier Véran, advertiu através de um ‘tweet’ para o perigo que alguns medicamentos anti-inflamatórios podem apresentar para os doentes. A diretora-geral da Saúde em Portugal, Graça Freitas, parece não partilhar as mesmas preocupações, considerando estas alegações como mal fundamentadas.

Com o aumento do número de casos de Covid-19, também a compra de medicamentos anti-inflamatórios se intensifica. O ibuprofeno (vendido em Portugal como Brufen, entre outros) é dos mais escolhidos e deve a sua popularidade ao facto de não ser sujeito a receita médica, isto é, qualquer pessoa pode adquiri-lo.

Ao The Guardian, o virologista Ian Jones disse que “há boas provas científicas de que o ibuprofeno agrava e prolonga as condições dos doentes [com infeções respiratórias]”. O uso de paracetamol (como o Bem-U-Ron) é indicado como uma alternativa que atua sobre a febre a dor, sem piorar a infeção a longo prazo.

Um ensaio feito pelo virologista mostrou que pacientes com infeções respiratórias tratados com ibuprofeno apresentaram uma maior probabilidade de desenvolver doenças mais graves, quando comparados com pacientes tratados com paracetamol. Apesar de o estudo não ter sido feito em pacientes com Covid-19, Ian Jones considera haver provas plausíveis para concluir que o medicamento pode causar danos.

“Se têm uma febre, tomem paracetamol”, escreveu Olivier Véran no ‘Twitter’. No entanto, segundo o jornal Público, Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, afirmou que “nem o Brufen nem outros medicamentos potenciam a ação do vírus”. A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) enviou um comunicado a afirmar que “não existem dados científicos que provem o agravamento do Covid-19 pelo uso de ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não-esteróides”.

No comunicado pode ainda ler-se que estava previsto ser feito um desmentido no dia 16 a nível nacional e internacional relativamente ao assunto. No entanto, dia 17, a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhou o uso de ibuprofeno no tratamento de sintomas causados pelo covid-19. “Por enquanto, recomendamos o uso de paracetamol e não de ibuprofeno como automedicação”, afirmou Christian Lindmeier, porta-voz da OMS em Genebra.