Isabel dos Santos acusa justiça de utilizar provas falsas

Fotografia: Toby Melville
Fotografia: Toby Melville

A empresária angolana acusou, esta terça-feira, as autoridades angolanas e portuguesas de utilizarem um passaporte falsificado como prova para o arresto dos bens. O passaporte teria a assinatura do ator de cinema Bruce Lee, já falecido.

A informação foi divulgada pela agência Lusa, que teve acesso a um comunicado da filha do antigo Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos. No comunicado, publicado no site da empresária, dos Santos alega que o Estado angolano usou como prova para o arresto preventivo dos seus bens “um passaporte grosseiramente falsificado, com uma fotografia tirada da Internet, data de nascimento incorreta e uso de palavras em inglês”.

A “mulher mais rica de África” utilizou também o seu perfil no Twitter para partilhar a fotografia do passaporte alegadamente falso e usado pelas autoridades. “A verdade hoje chega ao de cima sobre o fraudulento processo de arresto, baseado em provas forjadas e falsificações. Contra factos não há argumentos”, declarou na rede social.

A empresária acusa ainda a Procuradoria de Angola de utilizar fraudulentamente o sistema de justiça deste país para se apossar do seu património. Dos Santos apela à justiça portuguesa, que coopera com Angola no processo de investigação e executou arrestos no país, para que “à luz desta denúncia e de outras que se seguirão”, reavaliem as execuções que descreve como “às cegas”.

Dos Santos teve acesso a negócios lucrativos envolvendo propriedades, diamantes, petróleo e comunicações durante o período em que o pai foi Presidente de Angola, por 38 anos. Os negócios passaram sob escrutínio da imprensa, até que documentos trazidos a público pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (na sigla inglesa, ICIJ) revelaram o envolvimento destas empresas em irregularidades.

A empresária foi acusada pela Procuradoria-geral da República de Angola por branqueamento de capitais, fraude e desvio de fundos e teve os bens arrestados a pedido dos sistemas de justiça português e angolano.