Maioria dos LGBTI europeus tem medo de dar mãos em público

Fonte: Unsplash
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No estudo feito pela Agência dos Direitos Fundamentais da UE, constata-se ainda que Portugal é o país europeu onde ocorre o menor número de agressões a pessoas LGBTI. Participaram da pesquisa por volta de 140 mil pessoas.

Seis em cada dez pessoas que fazem parte da comunidade de lésbicas, gays, bissexuais, trans e intersexos (LGBTI) na Europa afirmam não dar as mãos aos seus parceiros em público por medo de sofrerem algum assédio ou agressão. O estudo responsável pela conclusão, publicado nesta quinta-feira, foi realizado pela Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) e envolveu cerca de 140 mil participantes, dentre eles 4.294 de Portugal.

De acordo com a pesquisa, que foi divulgada pelo Público, Portugal é o país da UE com o menor número de ataques motivados pela orientação sexual ou pela identidade de género de alguém. Ainda segundo o Público, nunca existiu um estudo dessa dimensão sobre a discriminação e discurso de ódio direcionado à comunidade LGBTI.

“Muitas pessoas LGBTI continuam a viver nas sombras, com medo de serem ridicularizadas, discriminadas ou até atacadas” – Michael O’Flaherty, diretor da FRA.

O estudo revela que, em média na UE, 38% dos inquiridos afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio no último ano e 11% revelaram ter sofrido alguma forma de ataque físico ou sexual. Em Portugal, os índices foram, respectivamente de 30% e 5%. “Apesar de alguns países terem avançado na igualdade LGBTI, os resultados do nosso estudo revelam que houve poucos progressos reais, deixando muitas pessoas vulneráveis”, diz O’Flaherty.

Em Portugal, 68% dos que responderam à pesquisa acreditam que a intolerância e o preconceito tenham diminuído nos últimos anos. Ainda assim, a maioria (57%) afirma que continua a evitar andar de mãos dadas nas ruas portuguesas. Na União Europeia, essa média é de 61%.

A Roménia e a Polónia foram os países com o maior número de queixas em relação à agressões físicas, com 15% dos participantes a afirmarem ter sofrido algo do tipo no ano anterior. A Bélgica e a França ficam logo em seguida, com 14% em ambos.