Manter a mente ocupada pode ajudar a lidar com a quarentena

Fotografia gentilmente cedida por Natália Antunes
Fotografia gentilmente cedida por Natália Antunes

O estado de quarentena afetou o quotidiano e os hábitos das pessoas em diversos países. Diante desta mudança drástica na rotina, o Conceitual foi ouvir a psicóloga clínica Natália Antunes para saber como melhor lidar com a ansiedade e depressão, que podem apresentar quadros mais severos.

Em uma sociedade “focada na sensação de liberdade”, a quarentena e a consequente liberdade reduzida representa, de acordo com a psicóloga, um impacto no estilo de vida e no estado emocional das pessoas. Antunes ressalta que, aqueles com tendências a sintomas de ansiedade, devem se preparar para enfrentar níveis severos do transtorno. Episódios depressivos derivados do isolamento forçado também vão ser, segundo a psicóloga, mais frequentes, e será necessário “desafios na dinâmica familiar”.

A criação de uma nova rotina foi uma das soluções apresentadas por Antunes, que explica que “dentro do confinamento, é possível criar alguns horários com as diferentes atividades do dia-a-dia, para dar sensação de controlo”. A imprevisibilidade da extensão da quarentena contribui para o desconforto da população, assim a psicóloga sublinha que quanto maior o número de atividades programadas, maiores são as chances de reverter esses quadros.

Reviver hábitos que não são mais frequentes no dia-a-dia, como leitura por lazer, assistir séries ou televisão e fazer jogos em família, pode ser “benéfico para atravessar a fase que estamos a passar”, declara Antunes. No caso daqueles que estão longe de suas famílias, como estudantes internacionais que não puderam voltar às suas casas, a psicóloga lembra que “as pessoas com quem vivem são quase consideradas suas famílias, e devem agir como tal”.

Face à novidade que a situação de quarentena representa, Antunes afirma que o “medo é a emoção base”, e complementou que, embora as preocupações aumentem, é necessário “trazer algum pragmatismo [ao cenário]”. Mesmo que muitas pessoas não estejam perto de seus familiares, a psicóloga sublinhou a importância de manter contacto e utilizar ferramentas como as chamadas de vídeo para que se possa “ter a maior proximidade possível”.

Natália Antunes recorda que “vivemos em uma época que temos tudo para ontem”, e afirma que se deve “valorizar mais as pessoas e relações”, ação que deve se acentuar após o fim da quarentena. Segundo a psicóloga, o valorizar de atos simples, como beber um café, é promovido nos estudos da psicologia, não apenas pela “sensação de liberdade”, mas também porque elas “fazem toda a diferença”.

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