Milhões de animais nos EUA vão ser sacrificados

Fotografia: Kenneth Schipper Vera/Unsplash
Fotografia: Kenneth Schipper Vera/Unsplash

Com a pandemia, a indústria da carne foi fechada, fazendo com que milhões de porcos e galinhas de criadouro tenham que ser sacrificados. Um dos métodos propostos pela American Veterinary Medical Association (AVMA) inclui sufocar os animais com CO2.

O bloqueio das indústrias da carne gerou um grupo de animais que estariam prontos para o abate, mas que não têm para onde ir. Os animais em questão, como relata o The New York Times, cresceram demais para serem abatidos, obrigando fazendeiros a os matarem. Em entrevista ao jornal, o fazendeiro Greg Boerboom, de Marshall, Minnesota, afirmou que “isso vai afastar as pessoas da agricultura. Haverá suicídios na América rural”.

Desde que as indústrias começaram a fechar este mês, já foram mortos 90 mil porcos no estado de Minnesota, enquanto em Iowa a estimativa pode chegar a 600 mil nas próximas seis semanas. Em um relatório, a AVMA declarou que os “métodos preferíveis” para extermínio de porcos incluiria overdose de anestésicos, gaseamento, tiro com armas, eletrocussão e traumatismo manual por força bruta. Em espaços fechados, a associação permite o desligamento de ventiladores, combinado com gaseamento de dióxido de carbono, e nitrito de sódio ingerido por porcos.

Em entrevista ao The Guardian, Leah Garcés, presidente da organização norte-americana Mercy for Animals (MFA), afirmou que o método de desligamento de ventiladores pode “essencialmente cozinhar os porcos vivos”, enquanto o uso de força bruta poderia significar “lançar os porquinhos contra o chão”. A presidente da MFA ainda acrescentou que a dificuldade é acrescida dado que as gestações dos porcos, que duram seis semanas, já haviam sido iniciadas quando as indústrias começaram a fechar.

A dificuldade de matar os animais também se estende para a forma de lidar com as carcaças. O senador Chuck Grassley propôs, mês passado, a criação de uma força-tarefa do coronavírus para fornecer recursos de saúde mental aos fazendeiros. Em entrevista ao NYT, Steve Meyer, um analista da indústria suína, declarou que “a parte econômica é prejudicial, mas o impacto emocional, psicológico e espiritual vai ter consequências ainda mais longas”.