Morreu Albert Uderzo, um dos criadores de “Astérix”

Fotografia: Getty Images
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O ilustrador francês Albert Uderzo morreu em sua casa em Neuilly, na madrugada desta terça-feira. A morte ocorreu enquanto ainda dormia, em decorrência de um ataque cardíaco, contou à Agence France-Presse o genro do ilustrador, Bernard de Choisy.

Uderzo tinha 92 anos e a morte não teve, segundo a família, relação com o novo coronavírus. Bernard de Choisy confirma, segundo informações do Observador, que o ilustrador já se vinha sentindo “cansado” há algumas semanas.

Chamado pelo jornal francês Le Monde de “monstro sagrado da banda desenhada”, o ilustrador criou o universo dos gauleses ainda em 1959, em conjunto com o argumentista René Goscinny para a revista belga Pilote. O primeiro álbum da série, “Astérix, o Gaulês”, foi publicado dois anos mais tarde.

Em 1966, a dupla lançou o segundo álbum, “Astérix e os Normandos”, que superou a marca de um milhão de exemplares vendidos. Após a morte do amigo e autor original da banda desenhada, em 1977, Uderzo assumiu o processo criativo da obra.

O ilustrador manteve-se responsável pela publicação por 52 anos. Foi então que, em 2011, a série passou a ficar a cargo do argumentista Jean-Yves Ferri e do ilustrador Didier Conrad.

Até os dias de hoje, a série dos “irredutíveis gauleses” ainda figura entre as bandas desenhadas mais populares de sempre. Quase 400 milhões de exemplares de Astérix e Obélix foram vendidos em todo o mundo, inspirando filmes de animação e live-action. Do francês, a série já foi traduzida para mais de 107 línguas.

Em 2017, uma ilustração original assinada pelos criadores foi vendida por 1,4 milhões de euros num leilão em Paris.

Uderzo nasceu a 25 de abril de 1927 e completaria, este ano, 93 anos. O pai do ilustrador, carpinteiro de profissão, mudara-se para Fismes logo após deixar Itália.

A origem de ambos os autores – Goscinny também filho de imigrantes e nascido em Paris – faz com que, em análise de Le Monde, Astérix, cujo nome tem origem num sinal tipográfico, o asterisco, seja “um puro produto da imigração”.