Novo vírus causa aumento de mortes de abelhas

Fotografia: Preston Keres/Planetpix/Alamy Stock Photo/The Guardian
Fotografia: Preston Keres/Planetpix/Alamy Stock Photo/The Guardian

Uma doença viral que afeta abelhas tem se espalhado na Grã-Bretanha, fazendo com que os insetos morram dentro de uma semana. Cientistas analisam se a causa seria uma nova mutação do vírus da paralisia crônica.

A doença causa tremores severos, impossibilidade de voo e o desenvolvimento de abdômens sem pelo e brilhosos nas abelhas. No país, foram encontradas colônias inteiras mortas pelo vírus, que se acredita ser uma forma do vírus da paralisia crônica (CBPV), que foi detetado pela primeira vez em Lincolnshire, em 2007.

Num estudo publicado na revista Nature Communications, e liderado por Giles Budge, professor da Universidade de Newcastle, na Austrália, um time de cientistas registou que o vírus CBPV ocorria com maior concentração em apiários sob cuidados de profissionais. A pesquisa envolveu 130.000 abelhas importadas de 25 países, e demonstrou que há uma chance duplicada de apicultores que importam abelhas rainhas terem suas criações infetadas com o CBPV.

a) Número de visitas a apiários registrados com paralisia crônica de abelhas entre 2006 e 2017. b) Número de apiários (por 1000 visitas) onde a paralisia crônica de abelhas foi registrada por apicultores profissionais e amadores. Dados são separados entre visitas que ocorreram por chamadas dos apicultores ou não. Tabela modificada.

Em entrevista ao The Guardian, Budge declara que seria “injusto afirmar que a doença seria causada por apicultura industrial”. De acordo com o cientista, na Inglaterra “os apicultores tendem a ter criações em escala pequena. Uma criação de abelhas padrão pode ter entre 100 e 200 colônias. Nos Estados Unidos da América (EUA), eles têm até 10.000 [colônias]”.

Uma das maiores dificuldades apontadas por Budge se trata do confinamento de abelhas às colméias durante tempos úmidos. Enquanto durante a primavera os apicultores podem aproveitar para que as abelhas polinizem flores oleaginosas, quando o clima é desfavorável as abelhas ficam em grandes grupos, pelo que o cientista explica que “você não pode fazer distanciamento social em uma colméia facilmente, mas você pode gerir isso ao aumentar o espaço dela”.

O vírus não se detém a uma espécie ou a um país. O CBPV foi detetado em populações selvagens de abelhas e formigas, em países como os EUA, onde o vírus chegou a uma prevalência de 16% em 2014, e China, em que a prevalência aumentou de 9% a 38%.

Rob Nickless, diretor da Bee Farmers’ Association, declarou que “este é o tipo de pesquisa que traz benefícios práticos para a indústria, ajudando apicultores em níveis de base a melhorar a saúde das abelhas e aumentar a produção do Reino Unido”.