NYT mostra trabalho da primeira curadora indígena no Brasil

A indígena Guaraní ganha destaque nas páginas do New York Times. Fonte: NYT.

Sandra Benites assumiu em dezembro a curadoria de arte brasileira do Museu de Arte de São Paulo. Agora, o seu trabalho ganha evidência nas páginas do New York Times.

Foi em dezembro de 2019 que Sandra Benites se tornou curadora de arte brasileira do Museu de Arte de São Paulo, o MASP. Sandra é Guarani Nhandewa e doutoranda em Antropologia Social pelo Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

No Brasil a notícia dividiu as águas da cultura: é a primeira vez que uma curadora indígena é contratada por um museu de arte no Brasil. Sandra tem trazido artistas e histórias indígenas de diversas maneiras em suas iniciativas e é sobre este trabalho que o jornalista Jill Langlois, do New York Times se debruçou, na reportagem Brazil’s First Indigenous Curator: ‘We’re Not Afraid Anymore’ publicada esta semana.

A reportagem evidencia o trabalho de Sandra a exposição “Histórias Indígenas” que será aberta ao público apenas em 2021 e que vai tentar mostrar um fio condutor nas representações artísticas dos 305 grupos étnicos que vivem em território brasileiro.

Langlois toca em dois pontos nevrálgicos para os indígenas brasileiros: Bolsonaro e a Covid-19: “Para Benites, a luta para proteger as terras indígenas tem sido um ponto de inflamação desde que o Brasil foi colonizado pelos portugueses, dando aos grupos séculos de prática para aprender a lidar com a situação atual. “Isso sempre aconteceu, mas costumava ser mais velado”, disse ela. “Agora está completamente desmascarado. Nós lutamos contra isso basicamente desde 1500, o que significa que não temos mais medo. ”

A reportagem dá a conhecer os números atualizados de mortes pela pandemia: “O coronavírus entrou em suas comunidades. Na segunda-feira, 18, a Secretaria Especial de Saúde Indígena confirmou 402 casos e 23 mortes pelo vírus.”