O 25 de abril no ano da Covid-19

Carlos Ferreira em foto da Lusa.

Num cenário de pandemia e estado de emergência, os 46 anos da Revolução dos Cravos foram celebrados num país adaptado às restrições exigidas.

Sessão solene na Assembleia da República

Vários deputados usaram este sábado no plenário o cravo na lapela ou na mão, muitos escolheram roupa vermelha e apenas uma deputada, Filipa Roseta, recorreu à mascara de proteção individual, numa sessão solene muito mais vazia que o habitual, devido à Covid-19. Com um total de 88 pessoas, foram ouvidos 11 discursos.

A importância do 25 de Abril e a celebração da liberdade foram os pontos fulcrais do discurso de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República sublinhou que este dia não podia deixar de ser celebrado, apesar do estado de emergência que todo o país atravessa.

“É precisamente em tempos excecionais que se impõe evocar o que constitui mais do que um costume ou um ritual, o que é manifestamente essencial”, defendeu Marcelo. A cerimónia na Assembleia da República iniciou-se com um minuto de silêncio, a pedido do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, em memória dos portugueses que morreram devido à Covid-19.

Um Assembleia da República esvaziada comemora. Fonte: Lusa.

Juntos, mas separados: pelo país cantou-se ¨Grândola, Vila Morena¨

Às 15h00 muitos portugueses foram às janelas de sua casa cantar, uma celebração que chegou a Espanha e até ao Brasil, atendendo ao apelo da Associação 25 de Abril. Tendo decidido, por causa da Covid-19, não realizar este ano o tradicional desfile do 25 de Abril na Avenida da Liberdade, a Associação pediu aos portugueses que cantassem à janela a “Grândola, Vila Morena”, a canção de Zeca Afonso foi imortalizada como hino da revolução.

“Grândola, Vila Morena” foi composta por Zeca Afonso (1929-1987) em maio de 1964, depois de uma sua visita à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, que ainda hoje existe.

O Observador compilou vários vídeos publicados em redes sociais.

Sozinho na Avenida da Liberdade com bandeira e cravo

Uma das imagens já considerada a mais marcante deste 25 de abril em meio ao isolamento é a de um homem que desfilou sozinho na avenida de bandeira e saco na mão. “Não me canso de fazer homenagem a uma coisa bem feita” disse Carlos Ferreira, 71 anos, aos jornalistas de vários veículos. Ele esteve sozinho na Avenida com a bandeira de Portugal e um saco branco com ferramentas. “Comecei a ouvir o Grândola e a minha alma começou a ressuscitar”, contou.

Ferreira acrescentou que ia concluir a sua caminhada como costuma fazer todos os anos, mas desta vez “só”. “Vou por aí abaixo, concluir o resto, como costumo fazer. Estou com ideias de terminar no Rossio, que era lá que acabava”, conclui.

Carlos Ferreira. Fonte: Lusa.