O risco aumentado de violência doméstica

Fonte: Jornal Expresso

O confinamento de casais em casa pode originar mais casos de violência doméstica. A partir desta semana, as vítimas têm acesso a um número gratuito para pedir ajuda.

O isolamento social para o combate ao Covid-19 tornou-se um desafio diário: a vítima conviver no mesmo espaço com o agressor. Daniel Cotrim, psicólogo da Associação de Apoio à Vitíma (APAV), em declarações à Sábado, mostra-se preocupado e apela “à responsabilidade dos vizinhos” na ajuda. “Não podemos contar até dez e esperar que pare quando ouvimos barulhos. Está a acontecer, chamamos a polícía”, refere.

O Governo, ao entender ser necessária outra forma de denunciar os atos de violência, criou uma linha de apoio para onde enviar mensagens a pedir ajuda, gratuita e que está disponível desde esta sexta-feira, 27 de março. Ao Diário de Notícias, a Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, justifica a criação desta linha: “Prevenir foi a palavra de ordem que esteve por detrás da criação da linha de SMS 3060”.

Em comunicado, o gabinete de Rosa Monteiro reforça que esta é uma linha com o atendimento especializado da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, que serve de complemento à linha telefónica 800 202 148.

Além da violência entre parceiros, o psicólogo da APAV revela outra preocupação. “Estar com as crianças em casa é, para muitas famílias, uma fonte de stress, e isso pode fazer a aumentar a violência contra as crianças”, declara. Daniel Coutrim refere que as pessoas mais velhas e os portadores de deficiência também estão numa situação de maior vulnerabilidade.

Número de agressores detidos aumenta

Com o lançamento desta linha, foram divulgados os dados do último trimestre de 2019 sobre o crime de violência doméstica. Tal como o Público destaca, as queixas às autoridades subiram 11,5% (passando de 26 mil para quase 30 mil). O número de agressores presos cresceu 23,2%, e passaram de 820 para 1010. Também as medidas de coação que obrigam ao afastamento da vítima subiram mais de 50%.

Recorde-se que no ano passado registaram-se 35 mortes em contexto de violência doméstica, 26 mulheres e uma criança.