ONU apela por subsídio para combater a Covid-19

Habitantes do Iêmen estão entre as populações que mais sofrem com a pandemia. Fotografia: Essa Ahmed/AFP via Getty Images/The Guardian
Habitantes do Iêmen estão entre as populações que mais sofrem com a pandemia. Fotografia: Essa Ahmed/AFP via Getty Images/The Guardian

A Organização das Nações Unidas (ONU) fez hoje um novo apelo de 350 milhões de dólares para combater a Covid-19 em países subdesenvolvidos. O abono seria utilizado no transporte de suprimentos e profissionais.

Após terem solicitado dois mil milhões de dólares em março, a ONU declarou que o subsídio não foi suficiente para lutar contra a pandemia do novo coronavírus em países vulneráveis, que podem enfrentar grandes perdas sem ajuda humanitária. Em uma carta aberta divulgada pelo The Guardian, os oficiais da organização alertaram que “é do interesse de todos impedir que o vírus se espalhe sem verificação, destruindo vidas e economias, e continuando o círculo ao redor do mundo”.

Na carta, a ONU afirma que “a humanidade está enfrentando o mais assustador desafio desde a Segunda Guerra Mundial”, e que “em países onde os mais vulneráveis precisam de ajuda humanitária e suprimentos para combater a pandemia, voos cancelados e rotas de fornecimento interrompidas atingem desproporcionalmente forte”. O subsídio de 350 milhões de dólares seriam, de acordo com o comunicado, direcionados para um sistema de logística global, que serviriam como pontes aéreas e de carga, além de mover pessoas e equipamentos importantes, como profissionais de medicina.

A organização pretende utilizar os aeroportos europeus, que ainda permitem o tráfego de voos comerciais, para transportar suprimentos e pessoal médico para áreas como África e Oriente Médio, além de outros países em situação vulnerável. Uma das preocupações da ONU é a de que essas áreas se tornem reservatórios da doença, podendo levar a novos surtos ao redor do mundo.

Em entrevista ao The Guardian, Mark Lowcock, secretário-geral-adjunto para Assuntos Humanitários da ONU, declarou que “se não continuarmos a receber suprimentos, vai haver uma grande tragédia”. Lowcock sublinhou que um dos países com maiores dificuldades é o Iêmen, em que “[a ONU] alimenta 13 milhões de pessoas todo o mês, mas está no processo de fechar 31 dos 40 principais programas nas próximas semanas”.

O secretário-geral-adjunto ainda afirmou que “isso não é apenas sobre compaixão e empatia, é sobre interesse próprio”, explicando que “ninguém vai ficar seguro até que todos estejam seguros. Os lugares [onde] agências humanitárias trabalham são potencialmente grandes reservatórios onde é difícil gerenciar o vírus”.