Orquestra anima as ruas com concerto a partir de carros

Fotografia: Classics Management
Fotografia: Classics Management

A Orquestra Sinfónica de Budapeste MÁV (OSB/MÁV) alegrou os residentes em quarentena durante a semana, levando música ‘inspiradora’ pelas ruas. Os carros, que percorrem a cidade, são equipados com caixas de som.

Assim como a maioria dos países, a Hungria proibiu reuniões de grandes números de pessoas em espaços fechados, impossibilitando apresentações ao vivo. Isso não impediu que a OSB/MÁV, fundada em 1945, fizesse seus concertos. Em dois carros equipados com caixas de som, músicos da Orquestra dirigem pelas ruas de Budapeste passando gravações de antigas atuações.

De janelas e varandas, os budapestinos aproveitam a música da OSB/MÁV, já que só é permitido sair de casa para atividades essenciais. Em entrevista ao The Guardian, Attila Kovács, músico da orquestra há mais de 30 anos, declara que “parece que nós conseguimos fazer muitas gerações felizes com nossa música, mesmo nesses tempos estranhos e estressantes”.

Embora no começo a plateia tenha sido majoritariamente de idosos, Kovács afirma que os jovens também começaram a apreciar a música clássica da OSB/MÁV. “As pessoas vinham para as ruas, mantendo uma distância própria uma das outras, e começaram a nos aplaudir. Algumas delas estavam até mesmo dançando”, declarou.

O ritmo das músicas também é levado em consideração, sendo que as canções escolhidas diariamente são leves e entusiasmantes. “Nós não vamos tocar a sinfonia de Leningrado de Shostakovich”, brincou György Lendvai, diretor de gerenciamento da OSB/MÁV. As reações têm sido positivas, com casos como um grupo de estrangeiros que dançavam alegremente ao som de uma valsa de Johann Strauss e uma idosa que, de sua varanda, comandava a orquestra.

Caso um dos moradores da cidade queira que a OSB/MÁV passe por sua rua, basta contactar o grupo por meio de seu Facebook.

A Orquestra MÁV

Criada após a 2ª Guerra Mundial, a OSB/MÁV tem sua origem a partir de um grupo de amantes da música que eram parte da Rede Ferroviária Húngara (Magyar ÁllamvasutakMÁV, em húngaro). György Lendvai explicou, em sua entrevista ao The Guardian, que o chefe da MÁV fundou a Orquestra pois “sentia que a música era essencial para levantar o espírito das pessoas nas ruínas da Hungria do pós-guerra”.

O que era antes apenas um conjunto, se tornou uma orquestra completa que hoje conta com 90 profissionais. Na época de sua fundação, que confrontava os desafios da Guerra Fria, a OSB/MÁV foi usada como ferramenta soviética para “levar cultura para as massas”, afirma Lendvai, que lembra que por muitas décadas a orquestra saía semanalmente para realizar concertos em cidades pequenas ou até mesmo fábricas.

Lendvai ainda lembra que “mesmo hoje, quando eu estou na mais pequena vila no campo e digo que eu trabalho para a OSB/MÁV, sempre terá algum idoso que dirá ‘oh, aquela orquestra foi a primeira que eu ouvi tocar música clássica ou ópera”.

Hoje a OSB/MÁV é independente, apesar de ainda ser parcialmente propriedade da Rede Ferroviária, e já fez apresentações em todos os países da Europa, além de Líbano, Hong Kong, Japão, China e Omã. Lendvai sublinha que “hoje temos uma crise, e eu acho que as pessoas precisam ser animadas e ter um pouco de esperança”.

De acordo com a Embaixada da Hungria dos Estados Unidos da América, a Hungria tem hoje 744 casos confirmados da Covid-19 e 38 mortes.