Pequenas rádios britânicas alegram pacientes com Covid-19

Fotografia: Rajiv Hasan/Nottingham Hospitals Radio
Fotografia: Rajiv Hasan/Nottingham Hospitals Radio

As rádios voluntárias são uma tradição britânica que perpassa décadas. Durante a pandemia, estas pequenas rádios estão a ter um papel importante em animar pacientes internados em hospitais. A Nottingham Hospitals Radio é uma destas associações.

Steve Coulby é um dos DJ que participam na rádio hospitalar de Nottingham. Na última quarta-feira, conta o New York Times, recebia um pedido de um paciente a batalhar a Covid-19.

“Brian [nome do paciente que fez o pedido da música], deu-me uma responsabilidade maravilhosa, como pediu por ‘qualquer jazz’”, disse o apresentador do programa. No entanto, teve de admitir uma coisa: os seus conhecimentos sobre jazz eram limitados.

Alguns artistas, em homenagem ao trabalho dos profissionais de saúde, organizaram eventos de angariação fundos para o combate do novo coronavírus. Segundo a Hospitals Broadcasting Association, James Blunt vai apresentar um programa de uma hora transmitido pelas rádios associadas à instituição. Ainda não há informações sobre a data do concerto.

Segundo o jornal americano, estas estações de rádio hospitalares são uma das características mais desconhecidas do sistema de saúde britânico, o NHS. As rádios funcionam à base de voluntários, com operações minúsculas, e são normalmente apenas conhecidas pelos que já foram pacientes num hospital britânico.

Para ouvir as programações, os pacientes podem conectar auscultadores a uma unidade de entretenimento próxima às camas. Em alguns casos, as músicas também podem ser ouvidas nas salas de espera e em outros espaços comuns.

As pequenas operações levaram a declaração do seu fim por diversas vezes no país. Ainda assim, há pelo menos 200 rádios a funcionar neste modelo, segundo a HBA. Algumas alegam que o funcionamento está a ser ainda mais útil durante a pandemia, facilitando conexões humanas com pacientes que poderiam estar sozinhos.

Para recolher os pedidos, em geral, os DJ andam pelos corredores dos hospitais e conversam com os pacientes, explicou David Hurford, presidente da Radio BGM, uma rádio comunitária do País de Gales.

A experiência pode-se converter, muitas vezes, em desafio, confessa Coulby. “Muitas das pessoas que fazem os pedidos estão a morrer”, conta. Coulby relembra ainda o momento em que um dos pacientes nos tratamentos paliativos para Covid-19 pediu “My Way”, de Frank Sinatra. “Se alguém pede por isso, sabemos exatamente a razão de o quererem”.