Plasma de convalescentes usado para tratar Covid-19

Fonte: Público

Um grupo de trabalho foi encarregado pelo governo de propor um programa para definir a forma de recrutamento de dadores e participantes em ensaios clínicos. O objetivo final é usar a componente do sangue para o tratamento de doentes com Covid-19.

Segundo este artigo do Público, o objetivo do grupo de trabalho é apresentar uma proposta para um Programa Nacional de Transfusão de Plasma Convalescente (de pessoas que recuperaram da Covid-19), no prazo de 30 dias. Desta forma, os serviços de sangue nacionais podem estar preparados para satisfazer os pedidos de plasma, para que seja usado no tratamento de doentes.

“Considerando a inexistência de específicos antivirais aprovados para o tratamento de doentes com Covid-19, a utilização de plasma tem sido entendida, pela evidência empírica, como uma abordagem estratégica e promissora no tratamento de doentes que desenvolveram formas mais severas desta doença”, explica o secretário de estado da saúde.

O tratamento consiste no uso do plasma de indivíduos que recuperaram, porque nele existem anticorpos capazes de neutralizar os agentes infeciosos. Este método também apresenta “altos níveis de segurança”, apesar de ser “incerto o potencial benefício clínico”, tal como o risco.

O grupo de trabalho é coordenado pela presidente do Instituto Português de Sangue e Transplantação (IPST), Maria Antónia Escoval e está encarregado de propor os moldes para efetuar, por exemplo, o recrutamento de dadores.

Na passada sexta-feira, a presidente do IPST adiantou que este mês vão começar os ensaios clínicos com plasma de doentes recuperados em dez serviços de imunohemoterapia no país. “Em Maio proceder-se-á ao recrutamento voluntário de doentes convalescentes e à sensibilização dos mesmos através dos médicos assistentes”, esclarece Escoval. Alguns ensaios do mesmo tipo já foram realizados na China e em Itália com resultados promissores.