Por trás das câmaras: os profissionais afetados pela Covid-19

Fotografia: Ana Laura Simon
Fotografia: Ana Laura Simon

Com o encerramento de eventos e atividades em locais públicos devido ao surto do novo coronavírus, muitos artistas tiveram as programações suspensas e encararam prejuízos económicos. Yan Badachu, videógrafo, é um dos profissionais afetados pelas mudanças e conta que a recuperação financeira não vai ser imediata.     

Trabalhando a recibos verdes, Yan Badachu viu diversos dos seus projetos com artistas e congressos cancelados ou adiados. De acordo com o videógrafo, o cenário atual dos profissionais de media coloca-os como “os últimos a que [os contratantes] vão pensar em pagar”, e esta situação ainda se pode estender pelos próximos meses.

Os serviços mediáticos, segundo Badachu, voltaram o foco para a pandemia de Covid-19, aumentando a realização de artigos e produções sobre a doença. Artistas sofreram com essa alteração, deixando de fazer publicações com frequência nas redes sociais devido à queda na elaboração de conteúdos. Yan Badachu explica que devem ter precauções, mas ainda é possível realizar projetos.

A falta de apoio do governo português aos artistas, que enfrentaram perdas económicas devido à devolução de bilhetes, é um dos fatores de preocupação apontados por Badachu. Segundo ele, enquanto o Governo da Alemanha está a amparar esse grupo, os artistas portugueses ainda se encontram em uma situação vulnerável.

Face à queda salarial, Badachu afirma que teve que tomar medidas como o desconto de cinquenta por cento em ensaios fotográficos para garantir o próprio sustento e dos dois filhos, que vivem no Brasil. O videógrafo também sublinhou que, embora países como a Itália tenham suspendido o pagamento da renda mensal de imóveis, os portugueses ainda vão ter que pagar suas contas apesar da instabilidade de suas remunerações.

Para além dos desafios que está a enfrentar, Yan Badachu comenta que, em Portugal, os media “são ainda vistos como luxo, não como algo essencial para uma divulgação”. O videógrafo conclui que, caso as restrições de contenção permaneçam da mesma forma, em seis meses não terá condições de permacer no país, vendo-se obrigado a voltar ao Brasil.