Portugal entrou na fase de mitigação. O que muda com o novo plano?

Fonte: U.S. Army
Fonte: U.S. Army

Portugal entrou em fase de mitigação na madrugada desta quinta-feira. Esta é a terceira fase de resposta do plano de contingência delineado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), sendo a fase mais grave de contágio.

Foi durante a conferência diária de atualização dos dados sobre a pandemia de Covid-19 da passada quarta-feira, que a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, anunciou que o país entraria na nova fase de resposta. “Temos transmissão comunitária. Não é exuberante nem descontrolada, mas existe”, declarou, citada pelo Público.

A transição para o novo plano, que já está em vigor, pode ter “alguma turbulência”, segundo a diretora-geral da Saúde. Freitas sublinha que a situação tem que ver com a dificuldade de se mudar “de paradigma assistencial de um dia para o outro sem que exista turbulência”.

O que é significa este novo momento e o que muda?

A fase de mitigação é a terceira fase do Plano Nacional de Preparação e Resposta à Doença, elaborado pela DGS. É este o documento que rege a atuação das autoridades de saúde na contenção e tratamento da Covid-19. Isto significa que o foco se volta para a mitigação dos efeitos da doença e para a diminuição da sua propagação, descreve o documento.

Nesta fase, segundo o Diário de Notícias, apenas os casos mais críticos, que rondam 5% do total, vão ser encaminhados para as instituições hospitalares de referência. A maioria dos doentes – aproximadamente 80% – devem ser acompanhados a partir de casa.

No caso dos doentes que apresentarem sintomas “um bocadinho mais graves”, refere a diretora-geral de Saúde, o tratamento vai ser feito nos centros de saúde próximos da sua residência. Até ao momento, pessoas que apresentassem os sintomas eram encaminhadas diretamente aos hospitais de referência no tratamento da doença.

Um dos principais objetivos do plano é tentar isolar os infetados com o novo coronavírus, tentando, assim, minimizar a taxa de mortalidade da doença até ao surgimento de uma vacina ou descoberta de um novo tratamento eficaz.

Segundo o documento, “a evolução epidemiológica da infeção determinará o ajustamento imediato das respostas”, que podem ser atualizadas e ajustadas “à medida que surjam conhecimentos mais precisos sobre o comportamento do vírus”.

Uma fase crucial para a evolução da pandemia

Apesar de a DGS usar a expressão no atual momento da epidemia em Portugal, as autoridades de saúde e o governo português já têm tomado medidas para a mitigação da infeção desde o surgimento do primeiro caso em Portugal.

Segundo um artigo científico publicado na revista Lancet, “esforços de mitigação, tais como as medidas impostas na China, reduzem drasticamente a transmissão” do coronavírus. Os autores do artigo elaboram que, se a taxa de infeção no início da epidemia em Wuhan, na China, se mantivesse em todo o mundo, cerca de 60% da população estaria infetada. No entanto, este é um cenário improvável.

Desde o início da pandemia, os governos têm voltado esforços para o achatamento da curva de infeção. Estes esforços incluem diversas medidas, tal como o isolamento social para os doentes com sintomas leves e o cancelamento de eventos com grande aglomeração de pessoas, são apontadas como medidas eficazes na mitigação da pandemia.

No gráfico, a linha a vermelho representa a taxa de infeção com isolamento dos doentes, a linha a verde representa uma curva achatada por consequência de medidas de distanciamento e isolamento social, enquanto a linha a azul demonstra uma redução mais significativa, com possível novo pico de infeção. As previsões são apenas ilustrativas, qualitativamente. Fonte: The Lancet

Apesar de o achatamento ser positivo, pode ser interpretado de maneira incorreta pelas autoridades. Segundo o artigo, quanto maior for a redução na transmissão, “mais longa e chata será a curva epidémica, com o risco de ressurgência quando as intervenções forem suspensas”.

Mais importante que a ação dos governos, é, segundo os investigadores, a ação pessoal. “O comportamento individual será crucial no controlo da disseminação da Covid-19”, uma vez que o isolamento voluntário atempado e a procura por apoio médico remoto depende da população.