Quem é a Madame C.J. Walker?

Madame C.J. Walker: a original e na "pele" da atriz Octavia Spencer. Montagem Cinemaplanet.pt

A notável história da Madame C.J. Walker tem invadido as casas do mundo todo graças à nova minissérie da Netflix, Self Made: Inspired by the Life of Madam C. J. Walker.

Várias publicações famosas estão reescrevendo a biografia da pioneira, considerada a primeira mulher negra milionária dos Estados Unidos — e a primeira mulher no mundo a se tornar milionária por conta própria. McKenzie Jean-Philippe é editora da OprahMag.com e assina a reportagem “Você pode comprar os produtos para cuidados com os cabelos da senhora C.J. Walker hoje e vai nos agradecer em saber”. O texto se debruça em como a empresa sobreviveu e se reinventou: “Desde as criações iniciais de Walker introduzidas no início de 1900, foram feitos avanços e descobertas significativas no mundo dos cabelos para mulheres negras. Portanto as fórmulas já não são as mesmas. No entanto, o ethos da empresa ainda está alinhado com o objetivo inicial da Madame Walker de fornecer produtos de alta qualidade para promover a saúde e o crescimento do cabelo natural das mulheres afro-americanas”, ressalta o artigo. A jornalista lista ainda todos os produtos que ainda estão no mercado, quais os preços e onde é possível adquiri-los:

Produtos atuais da Madame C.J. Walker. Foto: Oprahmag.com

A revista norte-americana Variety, especializada em cinema, negócios e na indústria do entretenimento, joga luz na produção audiovisual. O crítico Daniel D’Addario analisa minuciosamente a produção da gigante Netflix desde as escolhas da diretora Kasi Lemmons, passando pelo elenco – que traz estrelas como Octavia Spencer no papel principal, até o tom do roteiro: “A série trata as questões complicadas e muitas vezes dolorosas de preconceito com base na cor da pele e na textura do cabelo desde seus primeiros momentos; merece menção, também, a maneira como Spencer combina uma compreensão moderna de seu valor e suas capacidades como empresária iniciante com sua expressão de êxtase simples quando recebe carinho. A série nos conecta, fundamentalmente, à nossa humanidade”, aponta Variety.

Variety mostra Octávia Spencer em ação como Madame C.J. Walker. Foto: reprodução.

Já a britânica BBC publicou matéria da jornalista brasileira Alessandra Corrêa que vive nos Estados Unidos. Na reportagem “A filha de escravizados que ficou milionária e agora inspira série da Netflix a jornalista traz depoimentos de Joanne Hyppolite (uma das curadoras do Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana, em Washington) e do historiador americano Henry Louis Gates Jr., que estuda a pioneira.

“Segundo Joanne Hyppolite além de oferecer treinamento a centenas de mulheres negras que trabalhavam como cabeleireiras e vendedoras de seus produtos, Walker e outras empresárias negras pioneiras da época criaram oportunidades de educação e independência econômica para milhares de outras mulheres, que se tornaram gerentes ou proprietárias de seus próprios salões de beleza. (…) O historiador americano Henry Louis Gates Jr., que escreveu sobre Walker, sublinha que C.J. Walker tinha grande talento para o marketing e vendia mais do que simplesmente um produto. “Ela oferecia [a seus clientes] um estilo de vida, um conceito de total higiene e beleza que, em sua mente, iria impulsioná-los com orgulho para progredir.”

Corrêa termina o longo artigo com uma frase da própria Walker, dita durante uma convenção nacional de líderes negros em 1912: “Eu sou uma mulher que veio dos campos de algodão do Sul. De lá, fui promovida ao tanque. Depois, fui promovida à cozinha. E de lá promovi a mim mesma ao negócio de produção de produtos para cabelo. Não tenho vergonha de minhas origens humildes. Nunca pense que só porque você tem que trabalhar no tanque você não é uma dama!”

Madam C. J. Walker em imagem de 1912 (Foto: Collection of the Smithsonian National Museum of African American History and Culture)