Reino Unido vai infetar voluntários para acelerar vacina da Covid-19

Fotografia: Dado Ruvić/Reuters/The Guardian
Fotografia: Dado Ruvić/Reuters/The Guardian

Cientistas britânicos insistem que a medida é a melhor forma de acelerar os estudos para encontrar a vacina contra o novo coronavírus. A proposta seguiria as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A principal preocupação dos cientistas é a demora para testar os produtos que poderiam agir contra a Covid-19 e a diminuição do número de casos no país. Embora tenha causado uma discussão entre os pesquisadores, já que alguns afirmam que a medida poderia causar doenças sérias e a morte de voluntários, os ensaios seguiriam os parâmetros éticos impostos pela OMS.

Em entrevista ao The Guardian, Jonathan Ives, parte do Centro de Ética em Medicina da Universidade de Bristol, declarou que “se fizéssemos isso, poderíamos estar pedindo que pessoas saudáveis pusessem em risco seu bem-estar e suas vidas para o bem da sociedade. Por outro lado, tomar esse risco poderia acelerar o desenvolvimento de uma vacina e salvar muitas vidas”.

Os estudos da vacina, que tiveram início na Universidade de Oxford em janeiro, já envolveram 160 pessoas saudáveis entre 18 e 55 anos. Nas fases que vão seguir, os cientistas pretendem envolver cerca de dez mil pessoas. Andrew Pollard, líder do Oxford Vaccine Group, afirmou em entrevista ao Independent que “os estudos clínicos estão progredindo muito bem e agora estamos avaliando o quão bem a vacina induz respostas imunes em outros adultos, e testar se [a vacina] pode fornecer proteção para a população geral”.

Com uma média de 7% de pessoas que já estiveram infetadas com a Covid-19 no país, o Reino Unido possui uma taxa baixa de infeção, que pode ser um problema no desenvolvimento de vacinas. Lawrence Young, professor da Universidade de Medicina de Warwick, declarou ao The Guardian que “os níveis de infeção na comunidade já são baixos, e se esse vírus se comportar como outras doenças respiratórias e coronavírus, pode diminuir ainda mais no verão”. O professor ainda complementou que “não vai haver pessoas suficientes com o vírus para entrar em contacto com os voluntários para os projetos de vacina. Simplesmente não vai funcionar”.

Young afirma que os voluntários teriam cerca de 25 anos, e precisariam “dar o seu consentimento”. O cientista explica que o vírus, apesar de poder apresentar efeitos colaterais sérios para idosos, não exibe os mesmos riscos para jovens. “Antes de darmos seguimento aos ensaios, nós precisaríamos desenvolver uma terapia muito efetiva – uma droga antiviral talvez – que poderia ser usada nos poucos casos em que algo desse muito errado”, declarou ao The Guardian.