Contágios abrandam por um dia em Portugal

Fonte: Jornal Público

Idealmente, o objetivo da luta contra o novo coronavírus é abrandar a infeção o suficiente para que não se exceda a capacidade dos hospitais. Esta quinta-feira foi o primeiro dia em que Portugal teve uma descida no número de contágios, mas ainda é cedo para celebrar.

A percentagem de contágios no país passou de 43% na passada quarta-feira a 22% no dia seguinte. Isto significa que os casos continuam a aumentar, mas a um ritmo mais vagaroso. É precisamente isto que se pretende – se o número de casos aumentar a um ritmo estável, os sistemas de saúde têm possibilidade de continuar a responder aos novos pacientes. O problema prende-se com o facto de as doenças mostrarem um crescimento exponencial, podendo exceder a capacidade de resposta dos hospitais.

Por Diário de Notícias

Como é explicado neste artigo do New York Times, a China já se viu sobrecarregada pela quantidade de casos de covid-19. No entanto, nas últimas semanas, tem conseguido manter o número de novos casos sob controlo, sem que estes sobrecarreguem os hospitais. A melhor arma para que isto seja conseguido? O isolamento – “a única forma de controlarmos esta besta apocalíptica é não contactarmos com pessoas, explica Jorge Buescu, matemático que tem estudado a evolução da pandemia, no Diário de Notícias.

Por New York Times
Tal como na China, a Coreia do Sul tem vindo a controlar a taxa de contágios. Por New York Times

Chama-se a isto “achatar a curva”. A expressão vem da análise dos gráficos que mostram o número de infeções ao longo do tempo. Se repararmos na evolução de países como Itália, Espanha e França, é possível concluir que a curva do gráfico tem uma inclinação acentuada. Isto significa que o número de novos casos tem vindo a aumentar de dia para dia – uma evolução exponencial. É isto que se pretende combater.

Ao analisar os gráficos referentes à China ou à Coreia do Sul é possível verificar que estes apresentam curvas com uma inclinação pouco acentuada. Conclui-se que ambos os países conseguiram controlar, por agora, o número de novos casos. Desta forma, o número de pessoas contagiadas continua a aumentar, mas isto acontece de forma controlada, o que potencia uma resposta mais eficaz dos sistemas de saúde. O especialista de saúde pública, Drew Harris, neste artigo do jornal Público, explica que o ritmo a que a doença se espalha “é a diferença entre encontrar uma cama de cuidados intensivos e ventilador ou ser tratado numa tenda montada num parque de estacionamento”.

E em Portugal?

Portugal tem desenhado no seu gráfico o padrão exponencial explicado anteriormente, até à passada quinta-feira. No entanto, isto não significa que a situação esteja a estabilizar. Ao Diário de Notícias, o epidemiologista Henrique Barros disse que ainda é cedo para tirar conclusões – “um dia não serve para marcar uma tendência, para se avaliar de forma consistente têm de se registar três ou quatro”. O epidemiologista conclui ao dizer que é cedo para pensar que o isolamento já está a dar resultados.