Serenata simbólica ’teve uma forte impressão nas pessoas’

Fotografia: Observador
Fotografia: Observador

Transmitida por todo o país ontem, a Serenata simbólica, realizada na Universidade de Coimbra, permitiu que a tradição ficasse marcada mais um ano. O presidente da Secção de Fado declarou que o “património incalculável” comoveu os espetadores.

Com a presença das equipes da Rádio Universidade de Coimbra, da Televisão da Associação Académica de Coimbra, da Antena 1 e da TVI24, a Serenata Simbólica, que teve lugar no Paço das Escolas, reuniu pessoas de diversas partes do mundo. Dando palco ao grupo Capas ao Luar, da Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC), a Serenata contou com telas que mostravam espetadores que acompanhavam a tradição académica que marca a Queima das Fitas.

O Conceitual conversou com Emanuel Nogueira, presidente da SF/AAC, confira a entrevista:

Ontem nós tivemos a Serenata simbólica, que tambem foi aprovada pelo Governo. Como que corrreu e qual foi o feedback que vocês receberam?

Acho que a Serenata correu muito bem, e nós recebemos muitas mensagens, de muita gente, dando-nos parabéns por ela. Também pelo que vimos nas redes sociais, a Serenata teve uma forte impressão nas pessoas, e as próprias [emissoras] de televisão que estiveram presentes ontem perceberam a dimensão que ela teve. Por exemplo, a TVI24 acabou por decidir transmitir a Serenata também, apesar de que não estava programado inicialmente. Todas as [emissoras] de televisão fizeram entrevistas e alguns diretos para fechar os jornais, por isso acho que a Serenata teve um efeito fortíssimo, e maior até do que teria numa situação normal.

Sobre o seu comentário, de que você considera que nesta situação houve mais receptividade à Serenata do que em uma situação normal, por que você acha que isso aconteceu?

As pessoas, estando em casa e em uma situação difícil como esta, [aproveitam] qualquer tipo de atividade ou evento que as ajude a encontrar o lado positivo e uma mensagem de esperança nesta situação. Naturalmente um evento como este teria uma grande visibilidade, muitas pessoas a quererem acompanhar. Temos muitos estudantes em casa que sentem saudades de estar [em Coimbra], temos antigos estudantes que sentem saudades do seu tempo como alunos, e em uma altura como esta podemos ter esta tradição que cria um espírito de união, e essa mensagem de união e esperança ainda se realça mais. 

Em relação à situação normal, por que você considera que é importante manter essa tradição que tem tantos anos nesses tempos são tão incertos?

Eu digo sempre que temos um patrimônio incalculável na Universidade de Coimbra (UC), e temos que o preservar. O mito das tradições académicas é que temos muitos estudantes que vêm de sítios diferentes, que têm formas de pensar e crenças diferentes, mas a tradição académica é algo que une todos, que está além das individualidades, das nossas particularidades. Acima de tudo, dá identidade àquilo que é a nossa Academia, a UC. Portanto, acho que nesta situação específica da Covid-19, conseguimos perceber a dimensão que este património cultural da UC tem, porque não só os atuais e antigos estudantes o valorizam, temos muita gente que nunca passou ou estudou em Coimbra, mas que ainda assim sente um grande carinho pelas nossas tradições, e que é apaixonada por elas. Este foi um momento que permitiu perceber que é importante valorizar o património, e que não seja só nesta situação, como também daqui pra frente. O exemplo disso é que, de facto, no passado as jornadas [universitárias] eram sempre transmitidas em algum dos canais abertos, e acho que ontem perceberam que vale a pena fazer este tipo de transmissões. Espero que daqui para frente haja valorização, e não só a nível da cidade de Coimbra e da Academia, mas também a nível nacional, porque muitas vezes se reduz a música portuguesa ao fado de Lisboa, mas há muito mais para além dele, como o fado de Coimbra e de outras regiões do país. 

Quais foram as medidas de prevenção que vocês tiveram que ter para realizar as filmagens? Precisaram manter o distanciamento social em relação aos integrantes da banda e às equipes de jornalistas?

Nós tínhamos uma certa preocupação, por isso também escolhemos fazer a Serenata no Paço das Escolas, dado que a Sé Velha, naturalmente, tem uma tolerância em relação ao ajuntamento de pessoas, porque também queremos dar o exemplo. A preparação foi feita com muita antecipação e responsabilidade, por exemplo todos os técnicos e músicos usavam máscaras, e mantivemos as regras de distanciamento social na medida do possível. Normalmente há apenas um microfone para os cantores, ter dois [na Serenata simbólica] foi uma medida que a própria produção do evento quis tomar, para não aumentar os riscos de contágio. Tendo em vista as condições, na medida do possível, conseguimos fazer uma Serenata muito boa que vai ficar para a História, e cumprimos todas as regras que se requerem em uma situação como esta.