Spike Lee regista uma Nova Iorque sob pandemia

Spike Lee se manterá presidente do júri em Cannes no ano que vem. Foto: Variety.

Num mundo sem a Covid-19, Spike Lee abriria hoje o Festival de Cannes, fazendo história como primeiro negro presidente do júri. Inquieto, se aventura agora numa cidade abandonada para registar o epicentro global da pandemia.

Spike Lee, cineasta norte-americano de 63 anos, é conhecido pelo seu ativismo em filmes que denunciam o racismo nos Estados Unidos da América (EUA). Nesta terça-feira ele estaria a abrir a 73ª edição do Festival de Cannes, mas medidas do Governo francês para conter a propagação do novo coronavírus adiaram a edição.

O diretor do Festival, Thierry Frémaux, anunciou que já propôs a Lee assumir o papel no próximo ano. “Spike Lee disse-nos que ficaria, não importa o que acontecesse”, disse Frémaux.

Recluso em sua casa em Nova Iorque, Lee passa o tempo filmando uma cidade estranhamente vazia. O resultado é uma bela carta de amor de três minutos e meio para a cidade que nunca dorme, embalada por “New York, New York”, com Frank Sinatra, que pode ser apreciada num pequeno vídeo publicado na página do cineasta no Instagram.

O espectador é convidado a dar um “passeio” por cinco bairros da cidade: Coney Island, Bronx, Manhattan, Queens e Staten Island. Todos os clássicos estão lá, como o Empire State Building, a Estátua da Liberdade, a Ponte do Brooklyn, monumentos que a sétima arte tão bem mostrou ao mundo.

Na segunda parte do vídeo, Lee evidencia os nova-iorquinos na linha de frente na luta contra o novo coronavírus. Bombeiros, paramédicos, funcionários​​ dos hospitais improvisados no Central Park, e os chama de “heróis”.