Tem 90 anos e aprendeu a fazer videochamada

Suzana Queiroz tem 90 anos e aprendeu a fazer videochamadas. Fotografia: Filipa Queiroz.

Suzana Queiroz vive em Coimbra e este mês aprendeu a fazer videochamadas, por conta da pandemia. A nonagenária foi entrevistada pela neta, jornalista numa revista online.

“Sim, é minha avó, e é a primeira vez que escrevo sobre alguém da minha família… mas é isso, exceções dos tempos. Tenho a ajudado e senti que era uma voz que devia ser ouvida, um testemunho que merecia ser passado e para mim foi muito emocionante fazê-lo”, confessa Filipa Queiroz, jornalista na Coolectiva – revista digital feita em Coimbra, sobre o artigo “Relato de uma nonagenária: ‘Vivo um bocadinho em pânico”. Acrescenta ainda, “acho que para ela [Susana Queiroz] foi tão importante falar connosco, como foi para nós transmitir os pensamentos dela”.

Ao Conceitual, Filipa compartilhou um pouco a nova rotina de um jornalismo sob pandemia: “tem sido um desafio para toda a gente e em todas as profissões, desde o primeiro minuto percebemos que teríamos que mudar na Coolectiva, mudar os nossos temas, eliminar todos os eventos que tínhamos na nossa agenda e reinventarmo-nos, decidir o que é que podemos fazer, mas uma coisa é certa: desde o primeiro minuto nunca pensamos não fazer”.

De modo a não parar a revista, Filipa explica o processo de mudança: “decidimos fazer tudo o que fosse útil nesta altura do campeonato, estamos a publicar tudo de casa e não saímos para recolher material. Vamos sempre encontrando formas de contornar essas limitações, pois este é um tempo de criações de novas soluções”. Partilha ainda uma mensagem para os seus colegas de profissão: “é o momento certo para nós jornalistas validarmos a importância que tem o jornalismo, colocando o coração na mesa acho que é uma oportunidade de se valorizar aquilo que é verdadeiramente importante”.

A trabalhar a partir de casa, Filipa escreveu o “Relato de uma nonagenária: ‘Vivo um bocadinho em pânico”, retratando a história da sua avó. “Eu pedi e a minha neta ensinou-me, é muito bom para mim e é bom para eles, para verem que estou bem” conta Susana Queiroz, avó de Filipa, na entrevista que deu à jornalista via telefone e deu rumo ao artigo referido anteriormente.

A fé é um dos pontos chave na vida de Susana Queiroz, como se pode ler na descrição feita da sua rotina pela Revista Coolectiva. Resta-lhe assim agarra-se às suas orações, ao seu computador e viver o dia a dia da melhor forma que consegue em época de pandemia. “E a pandemia? Há-de haver uma grande degradação social. Isto vem na Bíblia, que havia de vir uma epidemia e matar muitas pessoas. Estão a acontecer coisas que nós não imaginávamos que podiam ser reais. […] A morte é sempre uma coisa triste e má, vai levar o seu tempo, mas vai-se purificar um pouco e depois entrarão num novo mundo, mais calmo. Eu já não vou estar cá para ver, mas acho que vai ser assim”, conclui Susana.