William Shakespeare e os memes de “King Lear”

Fonte: Creative Commons

A pressão de aproveitar o tempo livre que vem com a quarentena é enorme e as redes sociais servem para relembrar que muitas pessoas o fazem com distinção. Como se isso não fosse suficiente, Shakespeare pode ter escrito “King Lear” sob quarentena.

A informação tornou-se conhecida por causa de um meme que anda a circular na Internet. Este faz uma comparação entre o uso do tempo sob isolamento por parte dos utilizadores com os feitos de Newton ou de Shakespeare.

É verdade, até à altura não existia Netflix nem tínhamos a quantidade de meios que agora existem para passar o tempo. Seja uma fonte de inspiração ou um indutor de stress para quem está em casa, a teoria não parece descabida.

Andrew Dickson, que escreveu “The Globe Guide to Shakespeare” explica neste artigo do The Guardian que a peça foi apresentada pela primeira vez em 1606 no Boxing Day (dia 26 de dezembro). O espetáculo contou com a presença do Rei James I e tem uma escrita bastante negra com várias referências a “pragas”.

De facto, houve um grande surto de peste bubónica durante o verão de 1606, explica o historiador de teatro, James Shapiro. Este levou ao fecho de muitos teatros, bordéis e outras formas de entretenimento da época. Estas circunstâncias, associadas ao desconhecimento de que a doença se propagava através de picadas de pulgas (pensava-se que era transmitida por via aérea, o que explica as icónicas máscaras dos médicos da época), levaram a que uma grande parte da população se isolasse.

Fonte: allthatsinteresting

É uma teoria válida: William Shakespeare pode ter usado o tempo de isolamento durante esse ano para escrever “King Lear”. A cidade de Londres, onde o dramaturgo morava foi, na época, uma das mais afetadas. A própria senhoria de Shakespeare morreu da praga que assolava a cidade.

As epidemias pelas quais Shakespeare passou serviram-lhe de inspiração para uma grande parte das suas obras como “Romeu e Julieta” ou “Macbeth”. Enquanto os teatros estavam encerrados, as suas criações eram injetadas com o que o inspirava, não havendo poucas referências a morte e doença na sua bibliografia.